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Dossier:  

 

Mudar sim mas para melhor

A Política Agrícola Comum, inicialmente concebida para uma comunidade exclusivamente constituída por países do Norte não poderia, obviamente, ser especialmente benéfica para com os Estados Membros do Sul da União Europeia e especialmente para com Portugal.

Durante a negociação do processo de Adesão de Portugal (e posteriormente com as sucessivas reformas) não foi possível alterar de forma significativa essa tendência já que, basicamente, os métodos para o cálculo das ajudas compensatórias e dos prémios foram mantidos.  A distribuição das ajudas difere, assim, ainda, brutalmente, entre produtores, regiões e sectores.

Resulta igualmente evidente que argumentos como a BSE, o alargamento da União Europeia e as negociações no âmbito da OMC têm conduzido à necessidade de considerar a Reforma da PAC.  Aliás, preocupações com o ambiente, qualidade,  segurança alimentar e multifuncionalidade da agricultura têm vindo a ser sucessivamente tidas em atenção e estão já consagradas na Agenda 2000.

Portugal é naturalmente sensível ao reforço destes conceitos e não pode deixar de estar, nisso, fortemente empenhado; porém, não pode responsabilizar-se a actual PAC por tudo o que de negativo tem ocorrido nas agriculturas da  Europa e de Portugal. Este argumento só visa ocultar a incapacidade dos actuais governantes para enfrentar os problemas que afectam a agricultura.

O Ministério da Agricultura, perante o facto  do rendimento agrícola ter caído 9,3% no ano 2000 em Portugal, quando aqui ao lado em Espanha subiu 4,8% e a subida média na União Europeia se situou em 2,3%, procura ludibriar os agricultores portugueses atirando as culpas para cima da PAC.

Esquecendo a euforia com que anunciou a salvação da agricultura portuguesa à custa de dois mil milhões de contos na sequência da negociação da Agenda 2000 o mesmo Ministro apresenta agora uma proposta milagrosa a que chama “Um novo rumo para a agricultura europeia”.

Trata-se de uma proposta irresponsável e perigosa porque levaria à ruína as agriculturas das regiões desfavorecidas, precisamente dos Estados Membros com maiores dificuldades de entre os quais se destaca Portugal.

A partir de 2011, após algumas alterações em anos anteriores que tenderiam para a aproximação dos preços, estes, passariam a corresponder aos do Mercado Mundial, produzindo-se sem regras ou mesmo não se produzindo, ficando garantidas as ajudas através de uma política que visa a protecção do ambiente, o emprego e a qualidade, tudo sem se dizer como e à custa de quê e de quem.

Como se a agricultura europeia, seja ela qual for, mas sobretudo a agricultura familiar, tivesse condições estruturais e custos de produção que sem protecção, pudesse resistir. Não resistindo, quais os reflexos em termos sociais e de desertificação?  Qual o papel reservado aos agricultores portugueses?   Como se sentiriam estes, após dezenas de anos de actividade, colocados perante uma condição de incapacitados e pensionistas,  privados de poderem sentir-se úteis à sociedade em que se inserem?  Como ficaria a segurança alimentar europeia?

Felizmente que esta é a proposta que jamais poderá ser aceite pela maioria, se não mesmo pela totalidade dos restantes países da União Europeia.

Ela não pode merecer senão o repúdio dos agricultores europeus, particularmente dos portugueses, porque não tem pés nem cabeça, radica na demagogia e atenta contra o interesse nacional.

O Partido Social Democrata é favorável a alterações da Política Agrícola Comum que favoreçam a melhoria dos apoios às regiões mais desfavorecidas e àquelas explorações que enfermam de maiores dificuldades estruturais; igualmente é favorável a alterações que concorram para a melhoria da qualidade dos produtos, defendam a continuidade da agricultura familiar e proporcionem um tratamento mais justo e equilibrado, fruto de negociação séria, a favor das culturas mediterrânicas.

O PSD entende que deve ser assegurada a actividade agrícola como uma actividade produtiva e que a defesa do ambiente, a promoção da qualidade e da segurança alimentar devem verificar-se num contexto de reconhecimento do papel da agricultura na criação de riqueza.

Repudiamos o papel do agricultor como um simples guardião do meio rural. Eles são agentes da produção que uma nova PAC não pode deixar de respeitar.

Mudar sim mas para melhor.

O Deputado Coordenador
do GP/PSD da Agricultura

(João Maçãs)

 


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