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Dossier  Reforma da PAC

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REFORMA DA PAC
ACORDO DE 26 DE JUNHO É MAU PARA PORTUGAL

Tal como se antevia, a pressão do Alargamento da UE e das negociações da Organização Mundial do Comércio impuseram a sua lei... O acordo-base para a Reforma da PAC, saído hoje do Conselho Agrícola da UE, mantém o sentido essencial das propostas da Comissão Europeia. É globalmente mau para Portugal. Assim:

  • Prevê baixa nos preço à Produção, sobretudo para o Leite com uma baixa até 28% em cinco anos e a partir de 2005;

  • Acelera o desligamento das Ajudas Directas ( subsídios INGA) da Produção, e introduz o princípio da "degressividade" ou da redução progressiva destas Ajudas, enquanto tende para perpetuar a extremamente injusta distribuição social dos dinheiro públicos da PAC.
    Por outro lado, continuam de fora deste tipo de Ajudas, produções como as Hortícolas, o Vinho, as Frutas, a Batata;

  • Não estabelece uma verdadeira "modulação" (redução, por escalões, aos grandes proprietários) das Ajudas Directas mas, tão só, uma redução percentual, igual para todos, até ao máximo de 5% e logo a partir de 5 000 Euros por ano e por Exploração;

  • Acentua a liberalização das trocas comerciais, particularmente no quadro da Organização Mundial do Comércio (OMC) imposta pelas grandes multi-nacionais do "negócio agro-alimentar";

  • Mantém o "tecto orçamental", já previsto para o Orçamento Agrícola da UE desde a AGENDA 2000, o que, tendo especialmente em conta que em 2004 vão entrar mais dez estados-membros, só pode significar ainda menos dinheiro "europeu" para cada país ou região.

A APLICAÇÃO DESTE ACORDO-BASE VAI TRAZER :
  • A redução dos rendimentos dos Agricultores; a redução da produção agrícola portuguesa; a ruína das Explorações Familiares e do Mundo Rural Português; o aumento das importações sem controlo; a sucessão de mais desastres e escândalos alimentares; o agravamento do já insuportável défice agro-alimentar do nosso País.

TAL COMO NAS ANTERIORES REFORMAS DA PAC
AS "VITÓRIAS" GOVERNAMENTAIS SÃO PESADAS DERROTAS PARA A LAVOURA NACIONAL ...

A "técnica" já é bem conhecida desde 1992: - durante as "negociações", as propostas iniciais da Comissão Europeia sofrem algumas alterações com o objectivo de satisfazer certos interesses específicos de vários países. Há, então, uma ou outra "concessão" e, no final, todos os governos "cantam vitória", sobretudo para "consumo interno"... Assim foi em 1992, depois foi na AGENDA 2 000, e já assim está a ser agora...
Aliás, com este acordo-base, se há país que pode proclamar "vitória", esse país é a França que "congelou" a descida dos preços para os cereais.

Alguns aspectos concretos que são "migalhas" para Portugal :

  • A manutenção, embora degressiva, da "franquia" de 73 mil toneladas de "quota" leiteira para os Açores, e a possibilidade da "quota" nacional vir a aumentar em (apenas) 50 mil toneladas após 2005, aliviam a situação presente mas não satisfazem as reais necessidades do País.
    Entretanto, fica por resolver a questão do pagamento de certas "multas" por ultrapassagem da "quota" nacional durante a campanha de 2002 / 2003.
    Portugal, no mínimo, precisa do aumento da "quota" em mais 100 mil toneladas, tal como o Governo ainda recentemente reclamava;

  • É positivo o aumento de 10% ( passa de 75% para 85%) do co-financiamento comunitário para o "pacote" do Desenvolvimento Rural". Porém, não se pode esquecer que as Ajudas Directas têm um co-financiamento comunitário a 100% e, em Portugal, as Ajudas ao Desenvolvimento Rural - Agro-Ambientais; Indemnizações Compensatórias; Reforma Antecipada; Florestação de Terras Agrícolas - também estão a privilegiar cada vez mais os grandes proprietários, afinal "os mesmos" grandes recebedores das Ajudas Directas;

  • É favorável alguma "discriminação positiva" para os Jovens Agricultores, e é bem vinda a ajuda aos Frutos Secos ( prémio até 41 300 hectares );

  • Quanto ao aumento de 90 mil "direitos" ( número de animais com prémio) para Vacas / Carne, trata-se já de uma "velha" questão desde 1992. Irá concretizar--se agora, ao que se sabe por "troca" com áreas de cereais no Sul de Portugal. Ou seja, também por aqui vão ser "os mesmos" - os grandes proprietários - a beneficiar...

CNA continua a reclamar uma nova PAC

Não é esta, mas é uma nova PAC que Portugal precisa e a CNA e a Lavoura continuam a reclamar.

Entretanto, perante este acordo-base de Reforma da PAC, a CNA e Associadas tudo vão continuar a fazer para enfrentar as más consequências que dele resultam.

Desde já, também se reclama ao Governo Português:

  • Que se bata, sem hesitações, por mais e melhores benefícios para a Agricultura Familiar Portuguesa, nomeadamente durante a próxima discussão, em Bruxelas, do recente "relatório" da Comissão Europeia sobre a "especificidade" da Agricultura Portuguesa;

  • Que estenda, a todo o território nacional, a possibilidade de acesso aos 90 mil novos "direitos" para os Bovinos ( vacas / carne);

  • Que inverta os critérios e fórmulas de atribuição das Ajudas ao Desenvolvimento Rural de forma a de facto apoiar a actividade da Agricultura Familiar e de quem mais trabalha e melhor produz.

  • Que crie uma Ajuda "especial" para as Explorações Familiares na base de 2 500 Euros por ano e por casal de Agricultores a título principal.

Coimbra, 26 de Junho de 2003

A Direcção Nacional da C N A

 


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