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Dossier   



Uma política de agricultura e florestas competitiva e sustentável

A agricultura portuguesa vive actualmente um dos períodos mais delicados da sua história e sofre as consequências de vários recordes europeus dificilmente suportáveis:

  • os mais baixos rendimentos agrícolas de toda a UE (cerca de um terço da média);

  • a maior quebra dos preços dos produtos agrícolas;

  • a menor taxa de apoio associada à PAC;

  • a maior penalização decorrente das quotas e de outras limitações produtivas.

Depois da governação socialista, numa altura em que tem de fazer face a grandes transformações europeias e mundiais, o sector agro-florestal está mais pobre, mais frágil, pior enquadrado, mais desmoralizado e mais distante dos padrões europeus.

Sob pena de se pôr definitivamente em causa a sua viabilidade e o seu futuro, é indispensável e urgente introduzir na agricultura e na floresta portuguesas uma dinâmica generalizada de mudança, de confiança e de esperança no futuro.

O sector agro-florestal precisa de verdade, de dedicação, de empenhamento político, de progresso técnico e de capacidade de negociação internacional, mas também precisa de mobilização, de rigor, e, sobretudo, de muito trabalho e de um grande esforço colectivo.

Para um Governo do PSD, uma área prioritária de intervenção desenvolver-se-á no plano europeu, através da prossecução de acções indispensáveis a transformar a imoral e insustentável penalização agrícola portuguesa no âmbito da PAC. Com esse objectivo serão nomeadamente adaptadas as seguintes orientações:

  • No âmbito da revisão intercalar da PAC procurar garantir: 

a) uma solução específica para Portugal, associada à flexibilização de todas as quotas, referenciais de produção e outras limitações produtivas;

b) o reforço do desenvolvimento rural sem pôr em causa, nem o carácter protector da PAC, nem os seus princípios de base;

c) a não aplicação de mecanismos arbitrários de "modulação" das ajudas, numa base não comunitária.

  • Definição de uma estratégia negociar para a reforma da PAC, para depois de 2006 que: 

a) rejeite qualquer atitude aventureirista de reforma radical; 

b) apoie a ideia de que os pagamentos compensatórios sejam determinados em função das produtividades médias europeias; 

c) apoie o reforço das componentes relativas ao desenvolvimento rural, à protecção do ambiente, à qualidade dos produtos e à segurança alimentar; 

d) apoie o condicionamento das ajudas públicas à utilização de práticas agrícolas favoráveis ao ambiente (eco-condicionalidade);

e) rejeite a diluição e também a renacionalização da PAC;

f) apoie a exploração de um modelo de co-financiamento das ajudas directas, modulado em função da prosperidade relativa de cada Estado membro e da utilização das respectivas poupanças pari apoiar os pequenos agricultores e as culturas mediterrânicas; 

g) apoie a ideia de que os prémios e ajudas públicas contenham um factor de diferenciação (não fixação em função de produções históricas) de forma a proteger os pequenos agricultores e as produções mais extensivas; 

h) apoie a simplificação regulamentar e a valorização da multifuncionalidade associada ás explorações agrícolas e florestais; 

i) apoie a alteração do conceito europeu de "região agrícola desfavorecida" e a substituição do actual referencial nacional por um outro de natureza comunitária.

Ainda no âmbito da UE, importa assegurar que o alargamento a Leste seja antecedido da correcção das discriminações de que Portugal é alvo a nível da PAC e que seja estabelecido um amplo período de transição e um sistema de etapas idêntico ao utilizado com Portugal.

No plano das relações externas há que garantir, por fim, que nas negociações no quadro da OMC, a agricultura não seja utilizada como "moeda de troca" e seja preservado o modelo agrícola europeu.

Uma outra área de acção será a institucional e dos serviços, por via

  • do estabelecimento de um "Contrato Agro-Florestal Nacional" com as organizações e entidades agrícolas e rurais representativas;

  • de uma profunda reforma na estrutura e no funcionamento do Ministério da Agricultura e dos serviços a ele associados; 

  • da reorientação global e conjugada da investigação, do ensino superior e da formação profissional, através de um sistema único de programação e de avaliação e com base numa rede de unidades produtivas privadas e colaborantes;

  • da definição de um responsável político único para o sector florestal e da diminuição do número de decisores relacionados com a fileira; 

  • do apoio à partilha da gestão da política agrícola com organizações agrícolas com representatividade e com elevada capacidade técnica;

  • do apoio ao desenvolvimento da estruturas interprofissionais como forma privilegiada de promoção e organização para a comercialização de produtos agrícolas.

Por fim, na área produtiva e do desenvolvimento rural importa:

  • Adoptar um referencial de prioridades que valorizará a competitividade, a defesa do ambiente, a qualidade e especificidade, a inovação, a internacionalização e a diversificação económica das zonas rurais; 

  • Proceder a unia revisão intercalar do IU Quadro Comunitário de Apoio (Programas ACRO, AGRIS e RURIS), que envolva:

a) a simplificação dos procedimentos associados às candidaturas, bem corno à sua análise e aprovação; 

b) a concentração dos meios materiais do QCA, nas acções e medidas com maior impacto na produtividade e na qualidade, agrícola e agro-industrial; 

c) dar prioridade ao rejuvenescimento do tecido empresarial; 

d) dar prioridade ao sector florestal, atribuindo particular importância à sua gestão, favorecendo novos sistemas e procedendo a uma simplificação legislativa, com uma clarificação dos instrumentos de planeamento do uso florestal dos solos; adaptando novos mecanismos de financiamento para o sector; procedendo ao emparcelamento funcional da propriedade florestal, através de um "Piano Nacional de Emparcelamento Floresta"; implantando um sistema de controle e de certificação de "gestão sustentável da floresta"; activando o Fundo Financeiro previsto na Lei das Bases da Política Florestal, com o objectivo prioritário de favorecer o emparcelamento; desenvolvendo um "Sistema Nacional de Seguros Florestais"; constituindo um ou mais fundos imobiliários florestais com base em contratos programa com o Estado.

 e) dar prioridade à agricultura biológica, reestruturando globalmente o actual sistema de apoio, no âmbito de um "Plano Nacional para o Desenvolvimento da Agricultura Biológica". 

  • Procurar assegurar aos agricultores portugueses idênticas condições (económicas, técnicas e estruturais) às que usufruem os seus mais directos concorrentes, através da constituição de um "Fundo de Compensação" integrando nomeadamente os seguintes elementos:

a) "lndemnizações Compensatórias"; 

b) Seguro Agrícola Universal que se procurará venha a ser integrado na PAC.

  • Repartir o território em zonas de diferente grau de fragilidade socio-económica para aplicação de urna grelha diferenciada de apoios e de prioridades;

  • Defender a base produtiva tradicional das regiões, enquanto não forem identificadas alternativas económicas susceptíveis de basear unia reconversão produtiva viável.

  • Apoiar um "Programa Nacional de Promoção de Produtos Agrícolas"

  • Restabelecer a confiança dos consumidores, o que implica: 

a) acções sistemáticas de controle e de fiscalização, informação pública permanente, transparente e rigorosa; 

b) o estabelecimento do "Conselho da Qualidade e da Segurança Alimentar"; 

c) uma campanha nacional de sensibilização dos consumidores para os símbolos de qualidade e para os processos seguros de produção e de transformação.


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