
Balanço
da Presidência Portuguesa da UE nos sectores da Agricultura e das Pescas
Ministério
da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas
PRESIDÊNCIA PORTUGIIESA DA UNIÃO EUROPEIA
(1 de Janeiro a
30 de Junho de 2000)
BALANÇO
No final do mês de Junho termina a Presidência Portuguesa da União Europeia,
pelo que se impõe fazer um balanço do trabalho realizado. No âmbito da agricultura e das pescas o volume de trabalho envolvido á sempre de grande dimensão, já que estamos perante domínios em que existem políticas
comunitárias comuns, cujo processo de decisão e acompanhamento é feito conjuntamente pelos 15
Estados-Membros, o que torna a presidência num exercício, no mínimo, estimulante.
Mais de 100 pessoas directamente envolvidas; preparação, discussão e negociação
de cerca de 70 dossiers; realização de mais de 180 reuniões desde os grupos de trabalho técnicos até aos Conselhos de Ministros. Estes são apenas alguns números que dão
uma ideia do vasto trabalho que foi preciso desenvolver. Mas este é também um trabalho em que nos sentimos compensados, porque sabemos estar a participar num processo singular, que consiste
na construção de uma União Europeia.
De acordo com as prioridades definidas pela Presidência, foram objecto de
particular atenção os seguintes temas:
1
- Qualidade e segurança alimentar. Neste âmbito foi feito o aprofundamento das propostas apresentadas pela Comissão no Livro Branco sobre a Segurança Alimentar, em
que o grande envolvimento do ministério se traduziu num importante contributo para o relatório da Presidência apresentado na Cimeira de Stª Maria da Feira. Também relacionados com estas
matérias foram ainda feitos avanços significativos em diversos dossiers, nomeadamente uma posição comum do Conselho sobre a rotulagem obrigatória da carne de bovino
(Reg. 820/97, regulamentação relativa à prevenção das encefalopatias espongiformes transmissíveis, alimentação e bem-estat animal e normas internacionais sobre produtos alimentares
(CODEX ALIMENTARIUS). No que concerne aos produtos alimentares há ainda a referir um conjunto de três directivas de harmonização de normas técnicas, tendo sido aprovadas as
relativas ao mel e cacau/chocolates, e realizados grandes avanços nos doces e geleias.
2 - Adaptação de diversas Organizações Comuns de Mercado. A continuação
do processo de reforma de varias OCM's, foi outra das tarefas desenvolvidas neste semestre. Lúpulo, Linho e Cânhamo, Algodão e Suínos, foram algumas das que foram aprovadas ou que aguardara
apenas o parecer do Parlamento Europeu. Ainda w âmbito da política de mercados, foi igualmente revisto um conjunto importante de subsídios à exportação.
Devido a uma diferente avaliação quanto à oportunidade de apresentação de certas propostas de reforma por parte da Comissão, ao atraso em negociações com países terceiros ou à
já referida necessidade de pareceres do PE, não foi possível desenvolver em alguns dossiers os progressos que a Presidência desejaria. Estão nestas circunstancias
as OCM's do arroz, dos produtos hortícolas e frutícolas e da banana.
3 - Estratégia florestal. Neste domínio foi feito um importante trabalho
de coordenação ente
os países da UE, o que permitiu que no âmbito do quarto Fórum Internacional
das Florestas das Nações
Unidas, se estabelecesse um consenso quanto à necessidade de criar um instrumento
legalmente vinculativo a nível internacional, matéria que estava em discussão
desde a conferência
do Rio. Para além desta questão foram ainda obtidas um conjunto de posições
comuns sobre recursos financeiros, transferência de tecnologia, conhecimento florestal
tradicional e comércio e ambiente.
4
- Alargamento da UE e negociações na OMC. 0 acompanhamento do processo
negocial relativo h adesão dos países da Europa Central e as negociações
em curso no âmbito da OMC,
sobre comércio internacional de produtos agrícolas, foram outros dois
assuntos que a Presidência
fez questão de seguir atentamente e que foram objecto de debate, dada a sua importância
para o futuro do sector agrícola e das pescas na União.
5
- Pescas. No que se refere à Política Comum das Pescas, na sua
componente de política externa,
é de realçar o acompanhamento e coordenação dos Estados Membros durante as
negociações de vários
acordos de pesca e reuniões de comissões mistas ou consultas com países
terceiros, designadamente Angola, Guiné Bissau, Costa do Marfim, Estónia,
Federação Russa,
Noruega, Mauritânia e Gronelândia, bem como o acompanhamento, pelo Conselho
de Ministros, da
evolução das relações de Pescas com o Reino de Marrocos. Relativamente à Guiné-Bissau
é de referir a aprovação, a nível da Comissão, de uma medida especifica
de apoio financeiro
no montante de 6,5 milhões de euros.
A coordenação das posições comunitárias revestiu, igualmente, importância
durante as diversas
negociay5es que tiveram lugar, no decurso do semestre, no âmbito de varias Organizações
Regionais de Pesca, designadamente da Organização das Pescarias do Noroeste do
Atlântico (NAFO), Comissão das Pescarias do Nordeste do Atlântico (NEAFC),
Convenção Internacional
para a Conservação dos Tunídeos do Atlântico (ICCAT), Comissão Internacional
das Pescarias do Mar Báltico (IBSFC) e Organização para a Conservação do Salmão
do Atlântico Norte (NASCO), bem como da 6ª Conferência das partes com vista
à criação de uma
nova Organização Regional de Pesca no Atlântico Sudoeste (SEAFO). Ao nível
das Organizações Internacionais a Presidência Portuguesa assumiu a coordenação
comunitária da
reunião do Comité das Pescas da OCDE, do Subcomité de Comércio de Produtos
das Pescas da FAO e a preparação, ao nível das instâncias do Conselho, da
posição comum em
matéria combate à pesca ilegal, a adoptar durante as consultas de peritos no
quadro da FAO e da
1* Reunião do Processo Consultivo das Nações Unidas sobre Oceanos e Mares.
Salienta-se que o semestre foi marcado pelo lançamento do debate, pela Presidência
portuguesa, a alto nível
das perspectivas futuras da vertente externa da Política Comum de Pescas,
nomeadamente durante a reunião de Directores Gerais das Pescas, que teve
lugar no Funchal. O
Conselho de Ministros aprovou, ainda, um conjunto de conclusões sobre a participação
da Comunidade nas Organizações Regionais de Pescas.
Em matéria de Política Interna, uma das prioridades da Presidência foi a integração das
preocupações ambientais na política de pesca, tendo sido aprovado e
apresentado, ao Conselho
Europeu de Santa Maria da Feira, o relatório sobre esta mat4ria na sequência
de recomenday5es das
Cimeiras de Colónia e Helsínquia. Foram aprovados dois regulamentos sobre
a recolha de dados estatísticos e acção financeira correspondente, bem como
alterações ao regulamento que estabelece os Totais Admissíveis de Captura e
Quotas (TAC) para 2000, tendo
também sido aprovadas alterações relativamente ao regime de conservação
dos recursos da
pesca no Mediterrâneo. Foram aprovados, ainda, os contingentes pautais para 2000
relativamente a certos produtos da pesca e revisto o quadro jurídico relativo
à consulta da indústria
e dos meios interessados na Política Comum das Pescas. 0 Conselho adoptou um conjunto
de Orientações Políticas referentes à realização de Ateliers Regionais,
instrumentos de
consulta dos vários sectores interessados nas questões relevantes que se
apresentam no sector
da pesca e foi iniciado o debate sobre revisão do Programa de Orientação
Plurianual da Frota (POP IV).
Por
último, não podemos deixar de referir o Conselho Informal de Ministros da Agricultura
realizado em Évora, onde a Presidência Portuguesa propôs para debate o tema
"Qualidade na
diversidade: um desafio para a agricultura europeia". Com efeito,
incontornável que a médio prazo, nomeadamente face ao alargamento futuro da
União, do enquadramento
que vier a resultar das negociações na OMC e da sua própria necessidade de se
ajustar a um novo conjunto de exigências, e necessário começar a reflectir
sobre os novos rumos
a dar à PAC. 0 Conselho Informal de Évora serviu para relançar este debate,
ao propor temas que
não sendo pacíficos no interior da UE, constituem factores potenciais de desenvolvimento
de uma pane significativa das agriculturas europeias, tais como, o fortalecimento
dos aspectos ligados à diversidade como factor de equilíbrio territorial, a afirmação
dos produtos de qualidade especifica enquanto componentes essenciais daquela diversidade,
a consolidação da qualidade mínima dos produtos e a generalização das garantias
aos consumidores e, por último, a garantia de fortalecimento da PAC no que
diz respeito ao
apoio à produção de bens públicos e de atitudes de integração dos
aspectos ambientais
e de sustentabilidade no sector.
29/06/2000
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