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 -  11-06-2010

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Distribuição exige IVA aos seus fornecedores
Distribuição prepara-se para baixar preços aos seus fornecedores obrigando-os a suportar os efeitos da subida do IVA

O Governo decidiu introduzir aumentos nos diferentes escalões da taxa do IVA, visando incrementar a receita fiscal para fazer face ao agravamento do déficit orçamental. Esta medida pode ser justificável do ponto de vista macroeconómico e do combate ao desequilíbrio das contas públicas, mas terá implicações fortemente negativas para a fileira do leite em Portugal.

Essa penalização surgirá pela compressão do consumo que o agravamento das taxas do IVA - e as restantes medidas com impacto no rendimento dos cidadãos - irá, por certo, introduzir, mas surgirá também pela forma como esse aumento do imposto está a ser absorvido pelas principais cadeias de distribuição a operar em Portugal. Refira-se que com esta medida o Governo pretendeu obter receitas fiscais através do consumo, sendo que aprovou outras medidas que incidem sobre os rendimentos das pessoas e empresas.

No entanto, diversas insígnias já deram pública notícia de que esses aumentos das taxas do IVA não iriam ser transferidos para o consumidor, isto é, que os preços não sofreriam alterações derivadas do aumento do imposto, sendo declarado de forma mais ou menos explícita que os distribuidores iriam suportar aquele custo adicional.

Importa, contudo, desmascarar tal situação. Assim, a generalidade das cadeias de distribuição comunicou já aos seus fornecedores que seriam estes a suportar o incremento do IVA.

Esta atitude, a todos os títulos inaceitável, será - a ser concretizada - uma machadada mais na rentabilidade do tecido industrial nacional, em geral, e na fileira do leite em Portugal, em particular.

O Estado, nos serviços e bens que fornece, e muitos outros operadores, nas suas transacções irão, estamos certos, reflectir nos preços que praticam o aumento da incidência fiscal, afectando, obviamente, todos os consumidores.

A Distribuição a operar em Portugal, por razões concorrenciais, mas muito em especial pela desmesurada posição dominante que usufrui, não tem qualquer rebuço em transmitir aos consumidores a simpática mensagem de que não modificará os seus preços, sabendo que essa atitude nenhum reflexo terá nos seus resultados operacionais, porque essa 'atitude benemérita' será suportada não por si, mas sim pelos seus fornecedores.

O conjunto dos fornecedores dos produtos ditos de grande consumo e muito em especial aqueles que fornecem produtos que funcionam em permanência como factor de atracção dos consumidores às lojas das diferentes cadeias comerciais - casos, por exemplo, do leite, do queijo ou do iogurte - vive hoje confrontada com um conjunto de exigências contratuais e não contratuais que prejudica enormemente a sua rentabilidade.

Esta absurda exigência de que sejam os fornecedores a suportar a sua decisão de não incremento dos preços em razão do aumento do IVA que sobre eles incide, pode ser, quando a rentabilidade das empresas está já muito próxima do limite do suportável, a derradeira 'gota-de-água' que levará à falência de empresas e à perda de postos de trabalho no nosso sector e, seguramente, noutros sectores do grande consumo.

Exigimos, pois, que o nosso Governo e o conjunto das autoridades competentes verifique a forma como a aplicação do aumento das taxas de IVA é colocada em prática e averigúe se estas exigências da distribuição a operar em Portugal configuram ou não uma situação de abuso de posição dominante.

Porto, 11 de Junho de 2010

A Direcção da ANIL


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