
ASSOCIAÇÃO DOS JOVENS AGRICULTORES DO DISTRITO DO PORTO
Comunicado
Estamos
desiludidos mas seguiremos vigilantes
Depois
de reunirmos centenas de produtores de leite na vigília de ontem à noite
no Porto, junto ao Castelo do Queijo, queremos hoje manifestar a nossa
desilusão quanto aos resultados do Conselho de Ministros da Agricultura em
Bruxelas, uma vez que nada de concreto ficou decidido e a grave crise que o
leite atravessa exige medidas urgentes.
Registamos
como positiva a evolução do Ministro da Agricultura português, que
finalmente assumiu as posições defendidas pelas organizações agrícolas
portuguesas quanto à suspensão do aumento das quotas leiteiras e à
necessidade de evoluirmos para uma regulação do mercado a nível europeu
que garanta um preço justo à produção. Esperamos que essa posição
não seja sol de pouca dura e que se mantenha nas próximas reuniões que
deverão ser decisivas. Esperamos igualmente, em coerência com essa
posição, que a nível nacional passemos da publicidade repetida de
paliativos para decisões concretas e urgentes. A alteração da linha de
crédito hoje anunciada é positiva mas insuficiente, tanto no prazo de
empréstimo como nas condições de acesso, que não são alteradas e têm
impedido a candidatura dos agricultores com mais necessidade de ajuda.
Por
último, enquanto não se resolvem as coisas a nível europeu, importa
reforçar a atenção no mercado interno à relação entre a Indústria e
Distribuição. Anúncios de acordos simbólicos de encomendar trezentos
mil litros por mês (a produção de uma vacaria com 350 vacas) para uma
cadeia de supermercados, onde representa uma percentagem minúscula do
consumo mensal, não nos convencem enquanto virmos as prateleiras cheias de
leite polaco, francês ou espanhol. Por todo o país, os produtores de
leite estão atentos, a visitar regularmente os supermercados e a aguardar
que neste âmbito a situação evolua positivamente para a produção
nacional, sob pena de serem infrutíferos os apelos que temos vindo a fazer
aos consumidores de forma moderada e termos de ceder aos muitos
agricultores que estão revoltados, desiludidos e convencidos que apenas
seremos respeitados quando tomarmos posições de força, semelhantes às
registadas noutros países europeus.
Vairão,
7 de Setembro de 2009
A
Direcção da AJADP
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