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 -  24-11-2008

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"Exame de saúde" - Reforma da PAC - 2008 é mais um erro estratégico prejudicial para Portugal
Agricultura Familiar e Mundo Rural vão continuar a ser muito penalizados

As recentes "negociações" do Conselho Agrícola da União Europeia acabaram por fechar mais uma má Reforma da PAC para Portugal e, em especial, para a nossa Agricultura Familiar.

Assim, o Governo Português aceitou prosseguir, e mesmo agravar, o erro estratégico de uma política no essencial destrutiva da Lavoura e do Mundo Rural Português, aliás como a nossa experiência comprova.

O quase completo desligamento das Ajudas da Produção - com a passagem para o RPU, Regime de Pagamento Único, de quase todas as Ajudas Directas - permite aos maiores proprietários, aos mais intensivos produtores, à grande agro-indústria, continuarem a receber 95% das Ajudas Directas mesmo sem obrigatoriedade de produzir. Isto acontece, note-se, em época de grave crise financeira e económica e de crise alimentar...

Quanto à "modulação" (redução) das Ajudas Directas, o acordo foi bastante generoso para os grandes recebedores dessas Ajudas pois, e mesmo comparativamente com a proposta inicial da Comissão Europeia, acabou por "poupar" mais, aqueles que recebem acima de 100 mil € / ano.

Ao mesmo tempo, o dinheiro a retirar por essa via da "modulação", não vai ser sujeito a uma redistribuição a partir de Bruxelas ou seja, não vai haver qualquer correcção aos injustos recebimentos por país e produtor.

O Governo Português também aceitou o fim das Quotas Leiteiras a partir de 2015, outro grave erro estratégico. Sem as Quotas Leiteiras estabelecidas por Estado-Membro, os mais intensivos produtores e maiores exportadores vão produzir e exportar ainda mais (e as grandes superfícies comerciais vão "encharcar-se" com mais Leite importado...), e vão arrasar as produções familiares de países vulneráveis como é o caso de Portugal.

E de muito pouco adianta ao Governo Português vir proclamar que conseguiu uma ajuda especial de 50 ou de 100 milhões de Euros para entretanto apoiar a reestruturação do Sector Leiteiro Nacional. É que, recorde-se, de reestruturação em reestruturação, em doze anos, Portugal já passou de 80 mil Produtores de Leite para apenas 11 mil, metade dos quais tem menos de 50 vacas (e que serão os próximos a ser eliminados).

Ou seja, não há dinheiro que possa pagar o direito a produzirmos no nosso próprio País, e também nada substitui as Explorações Agro-Pecuárias de tipo Familiar assim politicamente condenadas a desaparecer.
Este "Exame de Saúde" e Reforma da PAC, 2008, vai agravar o aumento das Importações sem controlo eficaz e vai provocar a diminuição da já reduzida Produção Nacional. Vai também promover a falta de qualidade alimentar dos produtos importados, a degradação ambiental e a desertificação humana de mais áreas rurais. E Portugal será um país cada vez mais e mais dependente do exterior para se alimentar.

PORTUGAL AINDA TEM ALGUMA MARGEM DE MANOBRA

Entretanto, Portugal ainda terá margem de manobra para minimizar algumas das más consequências desta Reforma da PAC.

Por exemplo, e acreditando nós em algumas declarações de representantes do Ministério da Agricultura, o nosso País pode manter as Ajudas aos Agricultores com mais de 0,3 hectares de área elegível, o que, todavia, não é um progresso mas é, tão só, manter o que já temos agora.

A nível da "regionalização" das Ajudas, o Ministério da Agricultura ainda pode vir a atribuir as verbas a esse fim destinadas por Regiões e por todas as respectivas produções, o que seria positivo.

A distribuição de frutas e hortícolas (frescas) pelas Escolas, se tal processo for bem concebido e organizado, também pode vir a apoiar a produção familiar e os mercados locais.

PARLAMENTO EUROPEU TAMBÉM INCORRE NOS MESMOS ERROS

Na votação ontem concretizada do chamado "Relatório Capoulas Santos", o Parlamento Europeu afinal também incorre nos mesmos erros estratégicos do desligamento quase completa dos Ajudas Directas da Produção, do fim das Quotas Leiteiras e da grande "generosidade" nas taxas percentuais da "modulação" (redução) das Ajudas Directas a aplicar aos maiores recebedores dessas Ajudas.

CNA RECLAMA OUTRA E MELHOR PAC
AGRICULTURA E ALIMENTAÇÃO FORA DA OMC

Perante a experiência transcorrida e os acontecimentos recentes, a CNA continua a reclamar uma outra e melhor PAC. Que defenda e promova a Agricultura Familiar, as Produções e os Mercados locais e regionais. Que respeite a Natureza e a Qualidade Alimentar dos Produtos. Que mantenha vivo e vivificante o Mundo Rural.

As últimas reformas da PAC são consequências das imposições da OMC, Organização Mundial do Comércio, onde a União Europeia tem utilizado a Agricultura como "moeda de troca" perante outros interesses comerciais. Com o sacrifício da Soberania Alimentar dos Povos e Regiões.

No contexto, a CNA e a Coordenadora Europeia Via Campesina - estrutura de que a CNA faz parte - continuam a reclamar a saída da Agricultura e da Alimentação para fora da OMC.
...

Coimbra, 21 de Novembro de 2008

A Direcção Nacional da CNA


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Sítios

Fonte:  CNA

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