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 -  20-12-2007

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É muito má para Portugal a Reforma da OCM do Vinho
As "vitórias" logo propagandeadas pelo Governo Português afinal são pesadas derrotas para a Vitivinicultura Nacional

Estrategicamente é muito má para Portugal e para a Vitivinicultura do Sul da Europa, a Reforma da Organização Comum de Mercado, OCM, do Vinho, ontem aprovada, em Bruxelas, pelo Conselho Agrícola da UE "sob presidência" do Ministro da Agricultura de Portugal.

E é muito má principalmente porque :

* -- Acaba com os "Direitos de Plantação" da Vinha ( a partir de 2015) o que, de facto, significa o esbulho institucional de valioso património comercial dos Vitivinicultores e das Regiões Vitivinícolas.

Por outro lado, os "Direitos de Plantação" são factor decisivo para a manutenção das Vinhas no "seu" território e base para o chamado "terroir" dos Vinhos. Assim, as grandes empresas vão receber prémios para primeiro arrancarem, para fazerem "emigrar" e para, depois, replantarem Vinhas onde mais lhes aprouver a fim de fabricarem os seus vinhos. Porém, vinhos sem "território" são vinhos industriais, descaracterizados, sem alma.

No contexto, a Região Demarcada do Douro está mesmo gravemente ameaçada na sua essência e verdadeira razão de ser, caso não venha a dispor de um regime de completa excepção perante esta Reforma da OCM do Vinho.

Portanto, esse "Regime de Excepção" para o Douro, para o Vinho Madeira e para certos Vinhos Licorosos, é já uma primeira e incontornável reclamação a apresentar ao Governo Português e à União Europeia.

As poucas "garantias" a propósito já adiantadas pelo Ministro da Agricultura apenas escamoteiam o pior dos problemas que se vão desencadear no Douro e noutras Regiões.

* -- Esta Reforma da OCM do Vinho também prevê o fim das ajudas públicas à Destilação de vinhos para "álcool de boca" ( entre nós também designado por aguardente vínica) o que significa mais dificuldades ao escoamento de vinhos de mesa e até de vinho VQPRD.
* -- Vai esta Reforma canalizar ainda mais dinheiro público para o bolso das grandes empresas do vinho industrial e para os grandes comerciantes do sector e vai facilitar todo o tipo de traficâncias com a completa liberalização em curso à escala quase global.
* -- Esta Reforma admite a comercialização de cada vez mais "vinhos" sem indicação precisa da respectiva origem geográfica, o que só facilita a "grande martelada" quer dizer, o fabrico e comercialização das misturas de "vinhos" sem qualquer espécie de controlo eficaz.

Ao mesmo tempo, esta situação é contraditória com as teorias e medidas publicitadas pela UE a pretexto da qualidade dos Vinhos.

* - Endeusa-se a "competitividade" como justificação das justificações para esta Reforma quando tal se trata de uma teoria-fraude pois os agentes da fileira alegadamente "competitivos", afinal, são os mesmos que mais ajudas públicas têm recebido e que mais ajudas públicas se aprestam para continuar a receber com esta OCM do Vinho. Inclusivamente, assim vai continuar a acontecer com as ajudas para a promoção de vinhos e ainda veremos se acabam mesmo ou não, a partir de Agosto de 2008, as "restituições às exportações" para países fora da UE.

* -- Os anunciados prémios ao arranque de vinhas, sendo à partida aliciantes para muitos Produtores, são todavia um "presente envenenado" do ponto de vista do interesse estratégico nacional. Com o arranque de milhares de hectares de vinhas; com o fim dos "direitos de plantação"; outras vinhas serão plantadas e concentradas noutras regiões pelas grandes empresas e fabricantes de vinhos. Em consequência, mais abandono e desertificação do Mundo Rural e mais prejuízos para a economia nacional.

* -- Os chamados "envelopes nacionais" e os apoios ao "desenvolvimento rural" não passam de panaceias para "dourar a pílula" ( aliás como já é hábito...) e, mesmo esses, no essencial, vão ser canalizados para o bolso das mesmas empresas industriais e maiores comerciantes de vinhos.
...

Por tudo isto, aquilo que o Ministério da Agricultura de Portugal e o Governo Português acabam de assinar em Bruxelas, mais não será do que o golpe fatal numa parte muito importante do património e do "saber fazer" da Vitivinicultura Nacional. Trata-se um verdadeiro atentado ao património do País.

Perante a experiência e aquilo que agora é mais do que previsível, de nada nos adianta virem para cá "cantar vitória" em como se conseguiu uns poucos milhões de euros " a mais" com esta reforma da OCM do Vinho.

Vitória, podem cantar -- e esses sim, com razão -- os fabricantes e comerciantes dos vinhos alemães e do norte de França ( mais os industriais do açúcar de beterraba...), que simplesmente "varreram" desta Reforma a hipótese de vir a ser interditado o uso do açúcar de beterraba no fabrico dos seus vinhos...

Coimbra, 20 de Dezembro de 2007 // A Direcção Nacional da C N A


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Fonte:  CNA

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