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- 14-06-2007 |
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Vinho: Deputado apela a entendimento sobre candidaturas das entidades certificadoras
Ao falar em Viseu num debate sobre a reforma institucional no sector dos vinhos, o deputado Miguel Ginestal exemplificou que "a Bairrada não é o adversário do Dão, nem o Dão da Bairrada". "Espero que as Comissões Vitivinícolas Regionais [CVR] se entendam, ultrapassem as dificuldades e ponham o essencial acima do acessório. As regiões têm que ser parceiras, porque o adversário do sector vitivinícola português e do sector vitivinícola europeu não são estas vizinhanças", frisou. Segundo Miguel Ginestal, "os adversários são os vinhos do Mundo Novo: do Chile, da Argentina, da Califórnia, da África do Sul, da Nova Zelândia e da Austrália", que estão a retirar quota de mercado à Europa e a Portugal. Por isso, deixou o apelo aos presentes para que se entendam, mesmo que venham a fazer um "casamento por interesse", que consiste na "defesa do sector vitivinícola português e europeu". "Seria um paradoxo total que, tendo agora as CVR nas suas mãos a chave da solução, do entendimento, fosse chamado o Governo para se substituir a elas e resolver o problema. Espero que isso não venha a acontecer", frisou. Manuel Pinheiro, da Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas (entidade nacional que representa as CVR e demais entidades certificadoras de vinhos com Denominação de Origem), contou que, até ao final da primeira fase de candidaturas, a 07 de Maio, apenas foram apresentadas duas autónomas: da região dos Vinhos Verdes e da região da Península de Setúbal. "Agora há um segundo prazo, que acaba a 04 de Setembro, e todos temos esperança que seja possível haver um acordo na Região Centro para apresentação de uma grande organização que certifique todos os seus vinhos", afirmou à Agência Lusa no final do debate. Segundo o que tem conhecimento, "há já um trabalho de fundo, muito bom, de diálogo entre o Ribatejo e a Estremadura para se poderem unir e o Alentejo está em fase final de preparação da sua candidatura". "O problema que parece ser mais desafiante é este do acordo entre o Dão e a Bairrada. Hoje, aqui, comprometeram-se a ter novas reuniões entre eles e com o ministro da Agricultura, que espero possam resultar numa união", salientou. Esta união incluiria ainda as regiões da Beira Interior, Terras de Sicó e eventualmente Varosa, sendo que "todas têm um denominador comum, que é o facto de estarem na Região Centro", acrescentou. Segundo Manuel Pinheiro, "são equipas que já se conhecem, porque todas elas estão numa pequena associação que é o Conselho Regional das Beiras e, portanto, já têm uma cultura em comum". "Estamos abertos a reiniciar negociações", disse Valdemar Freitas, da CVR do Dão, durante o debate, acrescentando esperar com expectativa o que poderá dizer o ministro da Agricultura quinta-feira, na Beira Interior. A mesma expectativa foi demonstrada por Corte Real, da Bairrada, que lembrou que as duas regiões apenas não se entendem por um artigo em cerca de 30, o sétimo, que designa a representação dos produtores. Miguel Ginestal frisou a urgência de "agilizar a estrutura organizativa, gastar menos com a estrutura e investir mais na promoção da qualidade e da excelência dos produtos vínicos portugueses". "O problema das rivalidades de vizinhanças tem prejudicado em muito a nossa economia agrícola. O futuro exige que nos reorganizemos", referiu, salientando a necessidade de Portugal "aproveitar os mecanismos que vêm aí, através da reforma da Organização Comum de Mercado do vinho, através do programa de desenvolvimento rural, do eixo da competitividade"
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