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- 14-09-2006 |
[ Agroportal ] [ Nacional ] |
Alterações climáticas: Fenómenos extremos cada vez mais frequentes até 2100
Paralelamente, segundo os autores suíços deste trabalho, o clima quente e seco dos países ribeirinhos do Mediterrâneo poderá chegar até ao norte da Europa. Esta evolução poderá ter "um efeito positivo mecânico" no centro e leste da Europa e arrastar estas regiões para um círculo vicioso, com uma maior evaporação do solo e um aumento da humidade libertada pela vegetação devido à subida das temperaturas. Nas regiões húmidas, o ar quente deverá também contribuir para alimentar o ciclo das precipitações, aumentando o risco de cheias. Pelo contrário, nas regiões afectadas por um clima mais seco, a humidade do solo e das plantas desaparecerá mais rapidamente, limitando cada vez mais as possibilidades de refrescamento da atmosfera e acentuando as canículas. Este processo será tanto mais complexo que a própria vegetação sofrerá alterações com o aquecimento climático, com as florestas de folhosas a dar lugar progressivamente a plantas adaptadas a um clima quente e seco, o que afectará as trocas de ar húmido com a atmosfera. O estudo baseou-se numa modelização informática capaz de prever os efeitos da humidade dos solos num mapa da Europa com uma resolução quase duas vezes superior à dos modelos anteriores, precisou Sónia Seneviratne, do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça. Em particular, o trabalho mostra que esta evolução será caracterizada por vagas de calor mais frequentes e confirma também que os fenómenos climáticos - canículas ou cheias - serão muito variáveis de ano para ano. Vários países europeus foram afectados por cheias catastróficas em 2002 e 2005, enquanto em 2003 o continente foi assolado por uma vaga de calor extremo, responsável por cerca de 35.000 vítimas.
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