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- 08-03-2006 |
[ Agroportal ] [ Nacional ] |
Gripe das Aves: Registo de aves domésticas obrigatório a partir de agora
O anúncio foi feito hoje, em conferência de imprensa, após uma reunião da Comissão de Acompanhamento da Gripe Aviária (CAGA), e a decisão exclui apenas as aves que não tenham possibilidades de contactar com outras como, por exemplo, periquitos engaiolados dentro de casa ou galinhas em capoeiras interiores. O director-geral de Veterinária, Agrela Pinheiro, realçou que a medida visa "conhecer os animais que estão no exterior" e permitir uma intervenção com "mais eficácia" das autoridades caso se verifique em foco de infecção pelo vírus H5N1 da gripe das aves. A declaração é obrigatória a partir de agora e deve ser feita à junta de freguesia ou ao veterinário municipal, não estando ainda definida a data de conclusão deste processo, explicitou o director- geral de Veterinária. Questionado pela Lusa, após a conferência de impressa, sobre se esta medida não deveria ter sido tomada logo aquando da definição dos vários planos de intervenção em caso de registo da infecção em Portugal, Agrela Pinheiro contrapôs que "Portugal é o primeiro país que está a fazer" este registo. A não declaração das aves sujeita o seu proprietário a multas e, caso os animais tenham de vir a ser abatidos por decisão das autoridades, impede que possa receber indemnizações por essa perda, salientou Agrela Pinheiro. O director-geral de Veterinária adiantou também que as 1.600 análises realizadas pelo Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV), desde o início do ano e até segunda-feira, foram negativas à presença do H5N1, o mais patogénico dos vírus que provocam a gripe das aves. Neste número incluem-se as análises efectuadas a alguns dos 500 frangos mortos, e em avançado estado de decomposição, encontrados sábado numa ravina do Rio Vouga, em Cendrim, Sever do Vouga. Agrela Pinheiro criticou o abandono dos animais nestas condições, afirmando que foi "um acto da maior irresponsabilidade", "um crime contra a saúde animal, a saúde pública e um crime ambiental" e que "deverá ser punido com toda a severidade". Durante a conferência de imprensa, a directora do LNIV, Maria Inácia Correia de Sá, deu ainda conta de que o laboratório "está com um excesso de trabalho que poderia ser um pouco evitado se não se enviasse tudo", aludindo aos milhares de aves que têm sido encaminhados - pela população e autoridades competentes - para análise nesta instituição. A responsável assegurou que o LNIV "não está saturado", mas apelou a que haja "um pouco de bom senso" na decisão sobre que aves enviar para análise, pois "há animais que chegam ao laboratório e que não se justifica" uma análise (de despistagem ao vírus H5N1) para determinar a causa de morte. Também presente da conferência de imprensa esteve a sub- directora geral da Saúde Graça Freitas, que adiantou que a campanha de informação à população decidida no fim de Fevereiro pelos ministros da Saúde da União Europeia será lançada quando o risco da infecção em humanos se agravar no país. Destacando que, neste momento, a infecção da gripe das aves é sobretudo um risco de saúde animal, e não humana, Graça Freitas explicou que o material da campanha está preparado e "será lançado em função da avaliação do risco, que é definida pela Direcção-Geral de Veterinária". A campanha inclui material específico para vários públicos-alvo, nomeadamente crianças, tratadores de aves ou público em geral, revelou Graça Freitas.
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