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- 10-02-2006 |
[ Agroportal ] [ Nacional ] |
Vale da Vilariça: Barragem sem comporta e "sem dono" há mais de 40 anosMirandela,
09 Fev O caso assumiu contornos de caricato num dos vales mais férteis do país, que reclama há quase meio século a concretização de um plano de regadio para combater a falta de água. Muito antes das quatro barragens para regadio projectadas no âmbito deste plano, foi construída uma mais pequena com o fim de suster as enxurradas. A pequena barragem da Freixeda, no distrito de Bragança, data de 1964, mas nunca chegou a funcionar por falta de uma comporta e de dono. Segundo explicou à Lusa Carlos Guerra, os serviços públicos que construíram a barragem (Serviços Aquícolas e Florestais) "foram extintos e ao fazer-se a transferência de competências e património para outros serviços ficou esquecido aquele açude". "Nós estamos a tentar descobrir quem é o dono", disse. Sustentou que sem se esclarecer esta situação e sem provar que tem autoridade sobre a barragem, a direcção regional não pode fazer a despesa necessária, pouco mais de cinco mil euros, para a por em funcionamento. Carlos Guerra garantiu que "até ao Verão será colocada a comporta", mas quem não entende esta "procura da paternidade" são os agricultores, que já esperaram muito mais do que os 20 anos que o director regional atribuiu à construção desta infra-estrutura. Segundo o responsável pelo organismo estatal, a barragem da Freixeda "foi construída há mais de 20 anos", mas o presidente da junta de agricultores do Vale da Vilariça, Fernando Brás, tem o projecto e garante que "já lá vai o dobro do tempo". Para o representante dos agricultores, "pouco interessa a procura da paternidade: aquilo é do Estado e há apenas que assumir as coisas", afirmou. Fernando Brás acredita que a pequena barragem já podia ter criado riqueza, não com as funções iniciais de correcção torrencial, mas para armazenamento de água para rega, que é o que falta no vale. O director regional, em funções há cinco meses, garantiu que a solução deste caso é agora "um ponto de honra e uma questão de exemplo". "Nós temos que dar o exemplo e não podemos ter património abandonado, temos de aproveitar ao máximo os recursos existentes", frisou.
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