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- 16-10-2005 |
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Febre Aftosa: Palocci rejeita responsabilidades Ministério da Fazenda no surto
"Em período político e pré-político, o debate é assim mesmo. Estou acostumado, a equipa económica sempre faz parte destas polémicas", disse Palocci. O governante falava à margem da reunião de ministros das Finanças e directores dos bancos centrais do G-20 [grupo que integra as sete principais economias mundiais (G7) e os maiores países em vias de desenvolvimento], em Pequim. "Desde o final do ano passado, o ministro da Agricultura alertou-nos para os recursos necessários para a defesa animal e vegetal e nenhuma solicitação do ministério deixou de ser atendida pela área económica", salientou Palocci. "Todas as solicitações da área da protecção animal e vegetal foram atendidas prontamente, e não foi a falta de recursos que provocou o problema", adiantou. O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra brasileiros acusou Palocci de não ter libertado verbas para o Ministério da Agricultura levar a cabo acções de protecção pecuária. O ministro da Agricultura brasileiro, Roberto Rodrigues, criticou também por duas vezes, em dez dias, a política económica do governo, segundo o jornal Folha de São Paulo. "Não houve, nem por parte do Ministério da Fazenda, nem do Ministério da Agricultura, qualquer falta de iniciativa em relação à aftosa e, para encarar com seriedade a situação, temos de ver primeiro o que aconteceu: se foi feita vacinação, se ela foi feita de forma correcta e, se foi feita, porque não deu bons resultados", referiu António Palocci. A febre aftosa afectou 140 bovinos de uma propriedade em Mato Grosso do Sul, onde foram aplicadas medidas sanitárias de urgência, como o abate de 582 animais da mesma propriedade. Pelo menos 30 países, entre os quais Portugal, suspenderam parcial ou totalmente a importação de carne brasileira devido ao foco de febre aftosa que, apesar de não afectar o ser humano, é uma doença altamente contagiosa para animais como porcos, carneiros, vacas, cabras e ruminantes. Os produtores brasileiros de carne prevêem uma redução de cerca de 60 por cento nas exportações de carne bovina para os países comunitários este ano. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de carne bovina, com um cerca de 195 milhões de cabeças de gado, sendo 25 milhões (12,8 por cento) no Estado de Mato Grosso do Sul. O país exportou cerca de dois milhões de toneladas de carne bovina em 2004, num total de dois mil milhões de euros, segundo informações do Ministério da Agricultura.
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