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 -  16-10-2005

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Febre Aftosa: Palocci rejeita responsabilidades Ministério da Fazenda no surto

Pequim, 15 Out
O ministro da Fazenda brasileiro, António Palocci rejeitou hoje qualquer responsabilidade do Ministério que tutela no surto de febre aftosa no país que já causou elevados prejuízos na exportação da carne brasileira.

"Em período político e pré-político, o debate é assim mesmo.

Estou acostumado, a equipa económica sempre faz parte destas polémicas", disse Palocci.

O governante falava à margem da reunião de ministros das Finanças e directores dos bancos centrais do G-20 [grupo que integra as sete principais economias mundiais (G7) e os maiores países em vias de desenvolvimento], em Pequim.

"Desde o final do ano passado, o ministro da Agricultura alertou-nos para os recursos necessários para a defesa animal e vegetal e nenhuma solicitação do ministério deixou de ser atendida pela área económica", salientou Palocci.

"Todas as solicitações da área da protecção animal e vegetal foram atendidas prontamente, e não foi a falta de recursos que provocou o problema", adiantou.

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra brasileiros acusou Palocci de não ter libertado verbas para o Ministério da Agricultura levar a cabo acções de protecção pecuária.

O ministro da Agricultura brasileiro, Roberto Rodrigues, criticou também por duas vezes, em dez dias, a política económica do governo, segundo o jornal Folha de São Paulo.

"Não houve, nem por parte do Ministério da Fazenda, nem do Ministério da Agricultura, qualquer falta de iniciativa em relação à aftosa e, para encarar com seriedade a situação, temos de ver primeiro o que aconteceu: se foi feita vacinação, se ela foi feita de forma correcta e, se foi feita, porque não deu bons resultados", referiu António Palocci.

A febre aftosa afectou 140 bovinos de uma propriedade em Mato Grosso do Sul, onde foram aplicadas medidas sanitárias de urgência, como o abate de 582 animais da mesma propriedade.

Pelo menos 30 países, entre os quais Portugal, suspenderam parcial ou totalmente a importação de carne brasileira devido ao foco de febre aftosa que, apesar de não afectar o ser humano, é uma doença altamente contagiosa para animais como porcos, carneiros, vacas, cabras e ruminantes.

Os produtores brasileiros de carne prevêem uma redução de cerca de 60 por cento nas exportações de carne bovina para os países comunitários este ano.

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de carne bovina, com um cerca de 195 milhões de cabeças de gado, sendo 25 milhões (12,8 por cento) no Estado de Mato Grosso do Sul.

O país exportou cerca de dois milhões de toneladas de carne bovina em 2004, num total de dois mil milhões de euros, segundo informações do Ministério da Agricultura.


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Fonte: Lusa

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