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 -  08-09-2005

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Incêndios florestais: CAP exorta Estado a acabar com "negócio dos fogos"

Castelo Branco, 07 Set
O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), João Machado, exortou hoje, em Castelo Branco, que "o Estado acabe com o negócio dos fogos".

"O Estado deve clarificar porque razão todos os países têm meios aéreos (de combate a incêndios) e Portugal continua a alugar meios aéreos e a gastar milhões de euros" nesses alugueres, disse João Machado, que hoje se reuniu em Castelo Branco com organizações de agricultores da Beira Interior.

O dirigente da CAP considerou que "a questão dos fogos tem muito a ver com o desordenamento florestal, e não com a responsabilidade dos agricultores, pois não há ordenamento florestal desde há cerca de 40 anos. Não tem havido política florestal desde o 25 de Abril".

"A culpa não pode ser atribuída aos produtores florestais, porque estes não têm uma política para seguir", disse João Machado, alertando, também, para o facto de "mais de metade do País não ter cadastro (de propriedades) e ninguém saber a quem as propriedades pertencem".

"Portugal é o único país europeu onde as ignições e os fogos florestais aumentam, ao contrário dos nossos vizinhos (Espanha), que já atacaram este problema e os fogos diminuem", afirmou o presidente da CAP, para quem isto prova que "alguma coisa está errada, pois a floresta mediterrânica é igual em todos os países".

Segundo João Machado, "o fogo não pode ser desgraça para um país e uma fonte de negócios para muito poucos".

Na ocasião, o responsável pela CAP mostrou-se, também, surpreendido "e apreensivo" pela demissão em bloco, na sexta-feira, da Direcção do Gabinete de Planeamento do Ministério da Agricultura, "que havia sido nomeada pelo ministro há cerca de um mês".

"Era esta Direcção que tinha por missão planear e negociar todos os apoios que se destinam à agricultura", disse João Machado.

No encontro de hoje, o presidente da CAP manifestou também o seu desagrado pelo facto das ajudas comunitárias aos produtores de tabaco do concelho de Idanha-a-Nova "estarem em risco de se perderem", o mesmo acontecendo com os apoios à produção de beterraba e de tomate.


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Fonte: Lusa

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