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 -  22-07-2005

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Seca: Cem toneladas peixe morto retiradas do Monte da Rocha, risco continua

Ourique, Beja, 21 Jul
Mais de cem toneladas de peixes mortos pela seca foram removidas da Barragem do Monte da Rocha, Ourique, numa operação que terminou quarta-feira, embora as autoridades alertem para o risco de nova mortandade devido às necessidades de rega.

O presidente da Câmara Municipal de Ourique, António Afonso, adiantou hoje à Agência Lusa que a população de peixes na barragem já é actualmente compatível com o nível das águas, mas advertiu para "o risco de uma nova mortandade".

O autarca alertou para a necessidade de a Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF) continuar a monitorizar a barragem, uma vez que, justificou, "a água é cada vez menos e a continuação do plano de rega pode complicar a situação".

Um alerta partilhado por Ilídio Martins, da Associação de Regantes e Beneficiários de Campilhas e Alto Sado (ARBCAS), entidade que gere a barragem.

Segundo o dirigente associativo, o plano de rega definido para a barragem "não pode ser suspenso, devido a compromissos assumidos com os agricultores".

De acordo com o plano de rega, a Barragem do Monte da Rocha, que actualmente está a cerca de 30 por cento da sua capacidade máxima, ficará com apenas 20 por cento em Outubro, no final da actual campanha de rega.

Alegando que o Instituto Nacional da Água (INAG) e a DGRF "conhecem estes dados" Ilídio Martins lembrou que desde 05 de Maio que a ARBCAS informou as autoridades competentes sobre o peixe em excesso na albufeira da barragem e "alertou para o risco de a mortandade acontecer, mas ninguém fez nada".

"Não é preciso ser especialista para perceber que a duplicação da carga piscícola, que acontece sempre no Verão, e o decrescente fluxo de água, provocado pela seca e pelo plano de rega, criam situações de risco propícias à morte dos peixes", argumentou.

"A autoridade competente (DGRF) tem que continuar a monitorizar a situação na barragem e agir logo que se verifique um novo excesso de peixe", defendeu.

O responsável alertou, por outro lado, para o risco de uma situação semelhante na Barragem de Campilhas, Santiago do Cacém, que está a cerca de 14 por cento da capacidade máxima e será esvaziada até ao final da campanha de rega, ficando apenas com uma "capacidade morta".

De acordo com o último relatório da Comissão para a Seca 2005, referente à primeira quinzena de Julho, Campilhas é uma das 14 albufeiras sob vigilância, sendo "muito provável" que venha a ser alvo de uma intervenção [retirada de peixe em excesso] até ao fim de Setembro.

Os primeiros peixes mortos, sobretudo carpas, começaram a aparecer nas margens da albufeira do Monte da Rocha a 08 de Julho, devido ao calor e ao baixo caudal da barragem.

A operação de extracção do peixe morto das margens da barragem começou cinco dias depois e durante sete dias saldou-se em mais de cem toneladas recolhidas.

No local estiveram várias equipas de funcionários das autarquias de Ourique e Castro Verde, da DGRF e da ARBCAS, em coordenação com dois pelotões do Exército, militares do Regimento de Infantaria nº3 de Beja e sapadores de engenharia militar, equipados com barcos da Escola Prática de Engenharia de Tancos.

O peixe morto recolhido foi enterrado em varias herdades nas imediações da barragem.

Segundo o autarca de Ourique, os resultados de análises efectuadas pelo Ministério da saúde confirmaram a "qualidade e as boas condições para consumo" da água da albufeira, que abastece as populações de Castro Verde.

"Não há motivos para alarme e as populações podem estar descansadas", assegurou.


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Fonte: Lusa

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