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 -  18-04-2005

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Seca : Situação Geral na Agricultura

O primeiro relatório elaborado no quadro da Resolução do Conselho de Ministros, de 31 de Março p.p., sobre a Seca, dá-nos um panorama da expressão do fenómeno de seca e dos seus impactos para a primeira quinzena de Abril.

Em termos meteorológicos, a seca afecta a totalidade do território do Continente com índices de seca de valor mais elevado no sul e litoral com extensão até ao Minho. Outro parâmetro que caracteriza a seca meteorológica e que tem impacto sobretudo nas actividades agrícolas é o teor da água no solo, que na metade sul do Continente é inferior a 50% da capacidade máxima.

Segundo o relatório, o efeito mais sentido deste parâmetro no sector agrícola até ao momento foi o esgotamento dos stocks de palhas, de fenos e de silagens na maioria das explorações agrícolas e, por isso, o recurso anormal a rações industriais e aquisição de palhas e fenos no exterior do país, a preços muito elevados.

Com a informação fornecida pelas Direcções Regionais de Agricultura, é apresentada a situação, até à primeira quinzena de Abril, das diferentes culturas:

Cereais de Outono/Inverno

Trigo
Trigo Mole – regista uma área (130 000 ha) 3,7 vezes superior à do ano passado e apresenta um rendimento inferior em 58% do então obtido.
Nas principais regiões de produção (representam 83% da área total semeada), a quebra é de 63% no Alentejo e 49% em Trás-os-Montes, nesta com uma situação mais grave no Planalto Mirandês (-56%).
A área de Trigo Duro nesta campanha (23 500 ha) estima-se em apenas 15% da do ano anterior e a produtividade deverá apresentar uma quebra de 60%.

Aveia
A área semeada na campanha em curso (62 360 ha) supera em 10% a do ano anterior e o rendimento médio indica uma quebra de 63%.
As situações mais graves verificam-se no Algarve (-80%), no Alentejo (-68%), Trás-os-Montes – Planalto Mirandês (-55%), na Beira Interior – Campina (-70%), Ribatejo e Oeste – Grande Lisboa (-70%) e Baixo Sorraia (-65%) e Alentejo – Roxo (-75%) e Barros (-71%).

Centeio
A área semeada nesta campanha (26 420 ha) equivale a 92% da verificada no ano anterior (redução de 8%), sendo a quebra de rendimento estimada em 32%.
Nas principais regiões produtoras, Trás-os-Montes e Beira Interior, a situação é mais grave na primeira (-35%) que na segunda (-29%), pois na zona da Serra da Estrela a quebra por enquanto é pequena.

Triticale
Para este cereal verifica-se uma situação semelhante à da aveia, isto é, acréscimo de área em 29% (16 400 ha) e rendimento 60% abaixo do obtido no ano transacto.

De um modo geral, a falta de precipitação e as temperaturas baixas provocaram fraco desenvolvimento vegetativo (plantas de pequeno porte), atraso na evolução das culturas e, nalguns casos, ausência de afilhamento, dada a escassez de água no solo.

Registam-se situações de searas que já começaram a ser pastoreadas e casos em que já se observa espigamento em plantas de 20 centímetros de altura.

Batata de sequeiro e regadio

Constata-se que as plantações mais precoces desta cultura – batata primor – foram prejudicadas significativamente por geadas e pela fraca pluviosidade, tendo-se nalguns casos verificado a sua replantação.

Culturas permanentes

De um modo geral os Citrinos foram afectados pelas geadas, o que originou quebra de produção.

No Algarve:

- Verifica-se atraso na floração de citrinos;

- As geadas negras, na última semana de Janeiro provocaram elevados prejuízos nas variedades de meia estação, situadas nas zonas de baixa e de meia encosta (quebras entre 70 e 100%), para além de terem afectado as árvores;

- A diminuição de rendimento nestas variedades estima-se em 20% a 30%.

No Ribatejo e Oeste:

- No Médio Tejo a produção foi reduzida e de fraca qualidade, com quebras também na Península de Setúbal e Baixo Sorraia;

- No Oeste os limoeiros, em plena colheita, registam produção normal e boa qualidade.

As Prunóideas estão na fase de floração e as Pomóideas na de “gomo de algodão” ou de “botão verde-rosa”, no caso de variedades de macieira precoces.

As temperaturas baixas beneficiaram a floração das espécies frutícolas, mas a sua evolução dependerá das condições climatéricas que se vierem a verificar.

No Olival a falta de precipitação poderá comprometer a floração.

A Vinha apresenta-se na fase de rebentação, o que constitui uma situação normal, embora nalguns casos o seu desenvolvimento vegetativo se encontre atrasado.

Forragens, prados e pastagens

As últimas estimativas de produção disponíveis reportam-se à terceira semana de Março e foram publicadas no Relatório anterior (31 de Março).

Culturas forrageiras anuais de Outono/Inverno
Quer as consociações anuais – azevém, aveia e centeio -, quer o azevém anual, exploradas em modo de produção tradicional (cortes múltiplos, dois para verde e um para feno), tiveram, pelo menos, a perda de um corte de erva para administração em verde.

As exploradas em corte único, para silagem ou para feno, revelam atraso no crescimento, mas ainda poderão ter recuperação se as condições forem favoráveis.

Do aumento de pluviosidade dependerá portanto a possibilidade de reposição de stocks forrageiros, que garantam a alimentação do gado até Setembro/Outubro, altura em que ocorre a produção de silagem de milho. A reposição do feno só será possível no próximo ano.

Prados e pastagens permanentes melhoradas e semeadas
De um modo geral, a seca impossibilitou, desde Dezembro último, o pastoreio do gado, por inexistência de matéria verde, implicando também quebras na produção de fenos.
A falta de rega de lima não permitiu um desenvolvimento normal das plantas.

Pastagens pobres
As instaladas em solos mais pobres e de maior inclinação, portanto com menor capacidade de retenção da água, apresentam situações mais graves ainda, não tendo apresentado produção mensurável.

Os stocks de palhas, de fenos e de silagens esgotaram-se na maioria das explorações agrícolas.
Verificou-se recurso anormal a rações industriais e aquisição de palhas e fenos no exterior do país, a preços muito elevados. Face à situação das culturas arvenses e das forrageiras, também se revela impossível a reposição de fenos e palhas para a próxima campanha.


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Sítios

Fonte: MADRP

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