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 -  05-11-2004

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Biocombustíveis : Produção 100 milhões litros de bioetanol pode avançar no Alqueva

Lisboa, 04 Nov
A zona de influência da barragem do Alqueva pode vir a tornar-se uma importante área na produção de biocombustíveis no país através da produção de 100 milhões de litros anuais de bioetanol.

De acordo com um estudo encomendado pela EDIA - Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva à ESAGRI, que será divulgado sexta-feira na primeira Conferência Energia e Ambiente em Alqueva, foi identificada uma área de cerca de 47 mil hectares com vocação para a produção de 100 milhões de litros por ano de bioetanol.

O objectivo é construir na região uma destilaria mista, num investimento de 59,7 milhões de euros, que consiga processar bioetanol através de cereais e beterraba.

O estudo refere que a produção de bioetenol tem interesse do ponto de vista empresarial, mas necessita de apoio público para a criação de uma fileira completamente nova no país, nomeadamente através da isenção fiscal pelo menos durante um período de 10 a 15 anos.

A produção de biocombustíveis na região permitiria ainda um impacto económico e social importante a nível regional e nacional.

O bioetanol obtém-se através da fermentação alcoólica de açucares que se encontram nos grãos dos cereais (milho e trigo) e na beterraba (sacarose), que ao ser misturados na gasolina e gasóleo reduz a emissão de gases poluentes para a atmosfera.

O ministro da Agricultura, Carlos Costa Neves, já anunciou a intenção do Governo em apostar nas culturas energéticas, e o secretário de Estado do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, anunciou que o Executivo pretende isentar os biocombustíveis do pagamento de imposto sobre produtos petrolíferos (ISP) já no próximo ano.

De acordo com a directiva comunitária sobre os biocombustíveis, cuja transposição para a legislação portuguesa deve estar concluída em breve, cada Estado-membro da União Europeia deve assegurar que, até 31 de Dezembro de 2005, toda a gasolina e gasóleo utilizados nos transportes públicos incorpore 2 por cento de biocombustível.

Essa percentagem deverá atingir os 5,75 por cento em 2010, sendo objectivo da Comissão Europeia não só reduzir a emissão de gases poluentes, tendo em vista o cumprimento do Protocolo de Quioto, mas também reduzir a dependência do sector dos transportes em relação ao petróleo.


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Fonte: Lusa

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