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- 30-08-2003 |
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PS / Alqueva : Governo está a "bloquear" concretização agrícola do projecto
"Há uma paralisia e um bloqueio total à componente agrícola. Não vamos permitir que o empreendimento, que teve e tem o apoio de todo o País, possa ser, pura e simplesmente, boicotado como está a ser por este Governo", argumentou. Eduardo Ferro Rodrigues falava aos jornalistas em Canhestros, concelho de Ferreira do Alentejo, uma das zonas que vai ser mais beneficiada pelos regadios a criar pelo Alqueva, no final de uma reunião com autarcas socialistas. O encontro, em que estiveram presentes, além dos presidentes das autarquias da área de influência do empreendimento, os deputados e presidentes das Federações Regionais do PS de Beja, Évora, Portalegre e Setúbal, serviu para avaliar o ponto da situação da execução do projecto. Recordando que o Alqueva, cuja barragem foi inaugurada em 2002, é uma aspiração antiga dos alentejanos, tendo o PS "concretizado esse sonho", o dirigente socialista atribuiu os "atrasos" do projecto a uma cedência do Governo às "forças conservadoras" da região. "O desenvolvimento do Alqueva em matéria de regadio é algo que, mais tarde ou mais cedo, vai pôr em causa um conjunto de interesses e de relações de forças que são os que, há muitos anos, dominam o Alentejo. Há um bloqueio e, no entender do PS, não é por acaso que acontece", garantiu. Por oposição às "forças da conservação, do status quo e da manutenção dos sistemas de poder" que, segundo Ferro Rodrigues, estão "do lado do governo da direita", o PS "tem do seu lado os agentes da mudança, que querem que a agricultura alentejana se modernize e que a região se desenvolva". O secretário-geral do PS realçou ainda que o Alqueva é o projecto, a nível comunitário, "mais apoiado pela União Europeia" e que "os atrasos existentes começam a ser preocupantes", em termos do aproveitamento dos fundos monetários à disposição de Portugal. "É óbvio que se corre o risco de perder os apoios comunitários. No Quadro Comunitário de Apoio (QCA) há limites para os atrasos e estes começam a ser preocupantes", disse. O PS, de acordo com as promessas deixadas em Canhestros por Ferro Rodrigues, vai travar "um combate frontal" à actuação do Governo relativamente ao empreendimento, quer ao nível da Assembleia da República (AR), quer ao nível da região. "Esta situação é inadmissível e o PS irá desenvolver, a todos os níveis, diversas iniciativas", explicou, frisando que, no parlamento, os socialistas irão "interpelar o Governo" e, no âmbito do Alentejo, procurar promover "um fórum alargado, com autarcas das várias cores políticas, sobre o Alqueva". O secretário-geral socialista frisou ainda que o seu partido não irá aceitar que "as mesmas forças retrógradas que se bateram" contra o projecto e que "foram vencidas pelas capacidades que os Governos do PS tiveram em construir a barragem, impeçam que o Alqueva seja usufruído a favor do desenvolvimento" regional. O empreendimento de fins múltiplos de Alqueva - com valências ao nível energético, turístico, de reserva estratégica de água e de implementação de cerca de 110 mil hectares de regadios, até 2025 - continua a fazer sentido, segundo Ferro Rodrigues, "tal como está definido". Relativamente à componente agrícola, o concelho de Ferreira do Alentejo deveria ter recebido os primeiros cerca de dois mil hectares regados do Alqueva, através da primeiro bloco da infra- estrutura 12, inaugurado pelo ex-ministro socialista Capoulas Santos em Março de 2002. Contudo, na sequência de queixas dos agricultores da zona, que ainda não podem regar através desse bloco, o ministro da Agricultura do actual Governo, Sevinate Pinto, admitiu há uns meses a existência de "anomalias construtivas" no principal canal de rega, acusando o executivo socialista de o ter "inaugurado à pressa". Argumentos que não convencem Ferro Rodrigues, que hoje frisou que "se os mesmos que sempre se opuseram à construção da barragem forem, agora, muitas vezes de forma falaciosa, descobrir problemas técnicos para impedir que o regadio se desenvolva, isso seria totalmente absurdo". "Seria desastroso para Portugal, também do ponto de vista da sua imagem europeia e internacional, que o projecto viesse a não ser concretizado por ausência de vontade política e por uma tentativa de manter os sistemas de propriedade, infelizmente históricos, no Alentejo", argumentou.
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