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- 15-08-2003 |
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Incêndios : CAP pede ao Governo para pôr militares a patrulhar áreas de risco
"Uma vez que a GNR [Guarda Nacional Republicana] não tem capacidade para fazer a prevenção, talvez fosse possível ver os militares a patrulharem áreas de risco", afirmou o presidente da CAP, João Machado, em conferência de imprensa. O pedido formal da CAP será formulado directamente pelo da Confederação ao ministro da Defesa, Paulo Portas, durante o dia de hoje. "A prevenção não está a ser feita e as pessoas estão apavoradas, porque acham que tudo pode começar a arder", afirmou Machado. Quanto aos danos e número de produtores afectados pela vaga de incêndios das últimas semanas, o presidente da CAP diz que "os prejuízos são de tal modo avultados que não conseguimos ainda fazer uma avaliação". A situação poderá ser tanto mais grave quanto "praticamente não há áreas agrícolas e florestais seguradas em Portugal", diz João Machado. Devido ao "alto risco de incêndio" nas zonas rurais portuguesas, o montante cobrado pelas seguradoras "é incomportável", chegando o prémio anual a atingir os 50 por cento do valor da exploração. O presidente da CAP alerta que "muitos agricultores podem não ter meios para recuperar as áreas ardidas", e pede mais apoios da parte do Estado. Particularmente afectados terão sido os produtores de mel, com "milhares de colmeias ardidas" e com a "quase totalidade da produção perdida" nalguns distritos, como Portalegre, revelou Machado. O presidente da CAP aplaude as medidas tomadas até agora pelo governo, "em consulta mútua" com as diversas associações, mas chama atenção para o facto de deixar de fora os apicultores. No âmbito da Acção para a Redução das Consequências dos Incêndios (ARCI), começaram na quarta-feira a ser pagos a criadores de gado subsídios para substituição de animais mortos e alimentação de animais sem pasto. O Ministério da Agricultura vai ainda subsidiar a reposição do potencial produtivo (vedações, construções e infra- estruturas rurais, máquinas e equipamentos, plantações) e comprar madeira ardida aos produtores florestais que não encontrem escoamento para os seus salvados. "As medidas tomadas até ao momento são positivas, podem é ser complementadas com outras medidas", considera o presidente da confederação. Em relação à reposição da capacidade produtiva, João Machado pede que "os pedidos sejam analisados com muita celeridade, ao contrário do que normalmente acontece". "Vai haver desincentivo e abandono se o ministério não for muito rápido", considera. Ao longo da próxima semana as associações de produtores membros da CAP vão prosseguir a avaliação dos prejuízos e contam apresentar a informação ao governo, assim que esteja disponível.
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