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 -  09-08-2003

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Informação sobre as políticas da UE
que podem ajudar as áreas atingidas por fogos florestais em Portugal

Fundo de Solidariedade

É importante que a Europa possa fornecer assistência quando as pessoas são atingidas por catástrofes de grandes proporções, dentro e fora das suas fronteiras. Na sequência das inundações que atingiram a Europa Central, em Agosto de 2002, a Comissão propôs a criação de um novo instrumento europeu para concessão de ajuda de emergência. Os Estados-Membros, os países em vias de adesão e os países candidatos podem beneficiar deste fundo em caso de ocorrência de uma catástrofe de grandes proporções.

Para terem direito à ajuda, os países devem fornecer uma estimativa dos danos totais causados pela catástrofe, bem como uma estimativa do custo das acções a co-financiar pelo Fundo de Solidariedade. As verbas da UE podem então ser utilizadas para pagar o custo de acções urgentes. O Fundo não pode ser utilizado para compensar por danos cobertos por seguros privados ou por outras fontes de financiamento europeu e internacional.

Uma "catástrofe de grandes proporções" é um acontecimento que provoca prejuízos estimados em mais de 3 mil milhões de euros ou mais de 0,6% do produto nacional bruto do país em questão (o que, no caso de Portugal, corresponde a 718 milhões de euros). Em circunstâncias excepcionais, uma determinada região pode igualmente beneficiar de ajuda caso tenha sido atingida por uma catástrofe extraordinária que afecte a maioria da sua população e que tenha graves repercussões a longo prazo a nível das condições de vida e da estabilidade económica.

O montante anual total disponível a título do Fundo de Solidariedade é de mil milhões de euros, dos quais 75 milhões de euros estão reservados para catástrofes regionais extraordinárias. 25% da verba total disponível está reservada até 1 de Outubro, por forma a cobrir eventuais necessidades durante os últimos meses do ano.

Em 2002, o Fundo de Solidariedade interveio em quatro casos de inundação: a Alemanha recebeu 444 milhões de euros e a Áustria e a República Checa receberam, respectivamente, 134 e 129 milhões de euros. A França recebeu 21 milhões de euros na sequência de uma catástrofe regional no departamento do Gard. Em 2003, a Comissão propôs o fornecimento de ajuda para cobrir as necessidades relacionadas com o naufrágio do Prestige (8,6 milhões de euros), a erupção do Etna na Sicília (16,8 milhões de euros) e o terramoto na região italiana de Molise (30,8 milhões de euros).

Ver dados mais pormenorizados no final do presente MEMO. O texto do regulamento do Fundo de Solidariedade está incluído no presente dossiê de imprensa.

Fundos Estruturais

No âmbito do Quadro Comunitário de Apoio, Portugal tem direito a 20,535 milhões de euros dos Fundos Estruturais para o período de 2000 a 2006 (a preços actuais). Até ao presente, a execução financeira tem sido satisfatória, tendo mais de um terço desta verba sido afectada a projectos específicos. Os Estados-Membros podem alterar as prioridades de programação e a afectação do montante financeiro dos programas durante o período de programação. Tais alterações poderiam ajudar a concentrar um maior volume de fundos nas áreas afectadas e contemplar novas medidas destinadas a reconstruir as infra-estruturas, a apoiar o investimento produtivo nas empresas e a criar programas de formação e de emprego. Todas estas medidas poderiam ajudar a enfrentar as consequências dos incêndios florestais.

Além disso, Portugal incluiu uma reserva de mais de 500 milhões de euros para o período de programação de 2000 a 2006. Esta reserva foi criada a fim de proporcionar flexibilidade e permitir a Portugal enfrentar situações não previstas.

As autoridades portuguesas podem igualmente desenvolver projectos apoiados pelo Fundo de Coesão a fim de fazer face às consequências dos incêndios. A Comissão está disposta a estabelecer procedimentos acelerados específicos para atender aos pedidos relacionados com esta catástrofe.

Desenvolvimento rural

Os programas europeus apoiam o desenvolvimento rural em Portugal com um montante total de 3 560 milhões de euros. Aproximadamente 140 milhões de euros destinam-se a melhorar a gestão sustentável das florestas e a aplicar medidas de prevenção de incêndios florestais. Os programas de desenvolvimento rural contemplam igualmente medidas destinadas a reconstituir zonas florestais ardidas e a restaurar as capacidades de produção das explorações agrícolas. Caso Portugal apresente um pedido nesse sentido, estas acções podem ser reforçadas mediante uma alteração do Programa de Desenvolvimento Rural.

Política agrícola comum

Devido à situação de seca extrema que afecta certos Estados-Membros, a Comissão aprovou várias derrogações no âmbito da política agrícola comum. Assim, os agricultores podem utilizar terra em pousio para alimentar os animais. Portugal já foi autorizado a definir as áreas que, de acordo com critérios objectivos, podem beneficiar destas derrogações. Portugal pode igualmente apresentar um pedido à Comissão no sentido de beneficiar de outras medidas que foram decididas no contexto da seca, designadamente adiantamentos nos pagamentos directos aos agricultores em vários sectores agrícolas. Com base numa decisão aprovada em 25 de Julho, Portugal pode desde já apresentar um pedido nesse sentido no que respeita ao sector bovino.

Centro de Protecção Civil e de Intervenção

A solidariedade europeia já funcionou através do Centro de Protecção Civil e de Intervenção ("Civil Protection Response Centre") da Comissão Europeia. Este balcão único permitiu a Portugal solicitar a assistência de outros países europeus que se concretizou sob a forma de dois aviões Canadair enviados pela Itália e de três helicópteros enviados pela Alemanha. Infelizmente, a ocorrência em simultâneo de incêndios florestais noutros países mediterrânicos exigiu a retenção da maioria do equipamento no respectivo país de origem.

Este Centro de resposta a nível da Comissão está em funcionamento desde Janeiro de 2002. O Centro proporciona um sistema de alerta disponível 24 horas por dia, que pode ser activado por qualquer país que enfrente uma situação de emergência e que tem por objectivo o reforço da cooperação europeia em todos os tipos de emergência. O Centro pode dar resposta em caso de catástrofes naturais e tecnológicas, bem como de possíveis ataques terroristas. Em princípio, o Estado que solicita a assistência suporta os custos de todas as operações, embora os Estados participantes possam oferecer ajuda gratuita.

Auxílios estatais

Nos casos de catástrofe natural, os auxílios estatais podem compensar até 100% dos prejuízos materiais causados pela catástrofe. Todos os pagamentos por prejuízos provenientes de outras fontes, por exemplo, pagamentos de seguros, devem ser excluídos do auxílio. Sempre que possa ser estabelecido um nexo de causalidade claro com a catástrofe, os auxílios estatais também podem cobrir inteiramente formas mais indirectas de prejuízo, designadamente atrasos de produção resultantes de cortes de electricidade ou dificuldades na entrega de produtos devido a problemas de transporte.

A Comissão responderá prontamente a Portugal caso este país decida recorrer a este tipo de regime

Prevenção de incêndios

A Comissão propôs uma intensificação da cooperação europeia no domínio da gestão das florestas, tendo apresentado uma proposta de mecanismo designado "Forest Focus" que está actualmente a ser apreciada pelo Conselho e pelo Parlamento Europeu. Este programa contemplaria um montante de 52 milhões de euros para o período de 2003 a 2006 com o objectivo de melhorar a recolha de dados e a avaliação das florestas europeias. A Comissão já desenvolveu um Sistema Europeu de Informação sobre os Fogos Florestais (EFFIS) que distribui todas as manhãs aos Estados-Membros mapas indicando as zonas de risco. Estes mapas complementam as informações nacionais e constituem a base da cooperação internacional.

Antecedentes: exemplos de apoio do Fundo de Solidariedade da União Europeia

    2002

       

    • 444 milhões de euros para as regiões da Alemanha atingidas pelas inundações

    A subvenção concedida à Alemanha destinava-se, designadamente, ao reembolso dos custos suportados por este país no âmbito das intervenções de socorro, da consolidação imediata das infra-estruturas de prevenção de inundações, da recolocação em funcionamento das estações de tratamento, do aprovisionamento energético, das infra-estruturas sociais tais como os jardins de infância e os hospitais, bem como do abastecimento em água potável.

       

    • 134 milhões de euros para as regiões da Áustria atingidas pelas inundações

    A subvenção concedida à Áustria destinava-se designadamente ao reembolso dos custos suportados por este país tendo em vista a recuperação imediata das vias de comunicação e das instalações de abastecimento de água, a securização das infra-estruturas de engenharia hidráulica, o abastecimento das populações afectadas, a protecção do património cultural, bem como a limpeza das zonas sinistradas.

       

    • 129 milhões de euros em favor da República Checa após as inundações catastróficas

    A República Checa recebeu do Fundo de Solidariedade da União Europeia uma subvenção de 129 milhões de euros destinada às regiões directamente atingidas pela catástrofe. Esta ajuda contribuiu para o financiamento das seguintes medidas: 1) a reparação imediata das infra-estruturas em sectores como o abastecimento de água e de energia, o tratamento de águas residuais, os transportes (incluindo o metropolitano de Praga), as escolas, os serviços postais, bem como a renovação provisória das redes telefónicas; 2) a organização de serviços de apoio à população afectada, designadamente a possibilidade de alojamento temporário, e o apoio aos serviços de socorro; 3) a implantação imediata de infra-estruturas de prevenção, nomeadamente o reforço de margens e de edifícios desestabilizados.

       

    • 21 milhões de euros transferidos para França devido às inundações no departamento do Gard

    Estes fundos foram utilizados no departamento do Gard essencialmente para reembolsar as despesas de recolocação em funcionamento imediata das infra-estruturas afectadas, do estabelecimento de medidas de alojamento provisório, de consolidação das infra-estruturas de prevenção, de protecção do património cultural e de limpeza das zonas sinistradas.

    2003

       

    • A Comissão propôs 8,6 milhões de euros para as regiões espanholas atingidas pela catástrofe do «Prestige»

    A Comissão Europeia solicitou ao Conselho e ao Parlamento a aprovação da mobilização do Fundo de Solidariedade da União Europeia (FSUE) tendo em vista a concessão à Espanha de uma ajuda de urgência de 8,6 milhões de euros.

    Propõe-se que este montante seja prioritariamente afectado ao reembolso das despesas relacionadas com as operações de limpeza que tiveram de ser realizadas com a máxima urgência após a catástrofe provocada pelo naufrágio do "Prestige" no final de 2002, que teve pesadas consequências para as zonas costeiras das quatro regiões autónomas setentrionais de Espanha (Galiza, Astúrias, Cantábria e País Basco), incluindo para um certo número de ilhas do litoral atlântico e para os estuários dos cursos de água espanhóis da região.

     

    • A Comissão propôs 47,6 milhões de euros para as regiões italianas vítimas de catástrofes naturais

    A Comissão Europeia solicitou o acordo do Conselho e do Parlamento Europeu para recorrer ao Fundo de Solidariedade da União Europeia (FSUE) a fim de conceder uma ajuda de urgência de 47,6 milhões de euros à Itália. Prevê-se que seja proposto um montante de 30,8 milhões de euros para o financiamento de operações de urgência, tais como medidas de alojamento provisório na sequência da catástrofe causada por uma série de sismos que atingiu as regiões de Molise e Puglia no final de 2002. Os 16,8 milhões de euros restantes deverão ser utilizados para fazer face à catástrofe causada pela erupção do Etna e pelos sismos que se seguiram igualmente no final de 2002.

 


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Fonte: CE

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