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 -  06-08-2003

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Comunicado de Imprensa

Incêndios florestais

Lamentavelmente o ano que corre tem-se revelado mais um ano desastroso no que diz respeito aos incêndios florestais: em apenas duas semanas arderam dezenas de milhares de hectares, concelhos inteiros foram varridos pelas chamas e já há a lamentar a perda de um número considerável de vidas humanas.

Infelizmente, nada que o País não tenha vivido antes!

Ciclicamente e com alguma regularidade assiste-se a Verões catastróficos em que a área florestal ardida ultrapassa os 100 mil hectares e em que os prejuízos dos incêndios florestais extravasam o domínio florestal para se tornarem patrimoniais e humanos.

Ao que nunca se tinha assistido até agora era à proliferação simultânea de incêndios de grande dimensão de uma forma generalizada em vastas regiões do País, nem à penetração dos fogos no perímetro urbano de diversas vilas - ao ponto de terem ardido tribunais - nem tão pouco à situação de muitas populações terem de os enfrentar praticamente sem nenhum apoio das estruturas de protecção civil.

A situação é intolerável e portanto não pode ser tolerada!

Embora o momento seja de luto e o respeito pelas vítimas dos incêndios e pelos seus familiares imponha a todos contenção, a Confederação dos Agricultores de Portugal não pode deixar de tomar publicamente uma posição.

Confortada pelo facto de sistematicamente, ano após ano, não ter deixado de tornar pública a sua posição sobre a ausência de uma estratégia nacional de defesa contra os incêndios florestais, a CAP vem serena, mas energicamente, dizer que não se pode admitir que, mais uma vez, depois da tragédia e depois das inevitáveis e politicamente convenientes decisões do Governo, tudo fique na mesma.

E ficar na mesma seria repetir o estafado mote da insuficiência dos meios de combate - perante eventos catastróficos os meios serão sempre insuficientes, em Portugal, em França, na Austrália, nos EUA, ou em qualquer outro país do mundo - seria não proceder a uma avaliação rigorosa e independente da organização e da actuação do dispositivo da protecção civil durante este período de crise, seria não rever a legislação aplicável conferindo-lhe o rigor que a gravidade da situação exige, seria apostar mais uma vez na promessa (nunca cumprida) da rearborização das áreas ardidas, ignorando completamente os moldes em ela se realizará, seria, enfim, esquecer que o verdadeiro problema por detrás dos incêndios florestais é a insuficiente, ou mesmo inexistente, gestão florestal, motivada por problemas estruturais que sucessivos governos ao longo de mais de uma quarto de século se têm demonstrado incapazes de superar.

O País exige, e a responsabilidade política e, antes de tudo, moral impõe, que, de uma vez por todas, o Governo actue e não se fique pela aparência da actuação; exige proficiência e rigor na decisão, exige firmeza e persistência na actuação!

O País exige ao Governo, e a CAP acompanha-o, que em devido tempo tome as seguintes medidas:

  • Indemnize e dê auxílio imediato às famílias dos que pereceram nos incêndios e a todos os que ficaram sem abrigo e sem meios de subsistência, e indemnize os agricultores pela perda das suas culturas, animais e meios de produção;

  • Compense correctamente e com brevidade (os exemplos de anos anteriores são tristes e a vergonha de quem os determinou) todos os outros que foram materialmente prejudicados por esta vaga de incêndios, já que a sua responsabilidade é imputável ao Estado e aos poderes públicos;

  • Determine uma avaliação célere, rigorosa e independente da organização e da actuação do dispositivo da protecção civil durante este período de crise, e actue tomando as medidas que se imponham pelas conclusões obtidas;

  • Reveja de imediato toda a legislação com incidência na prevenção dos incêndios florestais, adequando-a às necessidade e impondo severíssimas penas pelo seu incumprimento;

  • Defina uma programação de médio prazo dos investimentos a efectuar na estrutura de vigilância e combate aos incêndios florestais e estabeleça mecanismos que imponham o seu efectivo cumprimento.

Para além destas medidas é imperioso que de uma vez por todas o País assuma a sua Política Florestal como uma prioridade e que também neste caso imponha o abandono do laxismo que tem imperado.

Não é admissível que haja uma Lei de Bases da Política Florestal, um Plano de Desenvolvimento Sustentável da Floresta Portuguesa e um Plano de Acção para o Sector Florestal sem que Governo e restantes poderes públicos se sintam minimamente responsáveis pela sua concretização!

A Confederação dos Agricultores de Portugal, enquanto parceiro social com responsabilidades ao mais alto nível na concertação social, mas principalmente como representante das centenas de milhares de proprietários e produtores florestais, entende que passou o momento de esperar por medidas e que é chegada a hora de exigir resultados.

Por isso, passada que esteja a actual crise, em devido tempo, e num clima de serenidade e já amenizada a consternação pelas trágicas perdas ocorridas, a Confederação dos Agricultores de Portugal vai reclamar do Governo, na pessoa do Sr. Primeiro Ministro, um conjunto de actuações no domínio florestal que considera imperativas e de concretização imediata.

4 de Agosto de 2003


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Fonte: CAP

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