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 -  05-08-2003

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Logo ANEFA COMUNICADO DE IMPRENSA

Os incêndios florestais: 
prioridades na recuperação da floresta

A situação vivida nos últimos dias em Portugal vem colocar em definitivo a necessidade do País reflectir e definir o que quer com, no mínimo, mais de um terço do seu território, isto para não repetir o peso da floresta na qualidade de vida, na satisfação das populações e na economia nacional.

Não é possível adiar por mais um ano o debate. Os incumprimentos legislativos e o laxismo do Poder Político apenas incentivam a calamidade e a indústria do fogo.

Na definição das prioridades de intervenção, a ANEFA define a aposta, irremediavelmente, em três aspectos:

  • Registo da propriedade e dos proprietários.

O cadastro da propriedade florestal em Portugal é necessária em todo o Território Nacional. Esta é condição essencial para a redução do impacto dos incêndios em Portugal, como em qualquer lugar do Mundo. O que é de quem? Quem é o dono?

A realização do cadastro da propriedade deve ser realizada através de métodos expeditos, com recurso às novas tecnologias disponíveis (GPS e SIG), e com a máxima urgência, em poucos meses.

Não nos enganemos mais, o cadastro da propriedade é fundamental para a implementação de medidas e de instrumentos de política florestal. Questões como: a quem se atribuem incentivos ou, quem vamos responsabilizar pelo estado das matas; são nesta matéria clarificadoras.

  • Incentivos financeiros e fiscais aos proprietários florestais 

As taxas de aprovações de candidaturas aos sistemas de incentivos existentes são diminutas, atendendo à importância do sector quer do ponto de vista ambiental quer económico, bem como ao potencial do País neste domínio. Metade do actual Quadro Comunitário já se passou, as taxas de aprovações são muito inferiores a 50% e as taxas de execução física, em obra silvícola; e financeira, em dinheiro pago em subsídio, são muito baixas. Apesar de alguma recuperação em 2003, o descrédito ocorrido nos primeiros anos do Quadro e a burocracia que se montou à volta do investimento florestal não são nada incentivadores.

Urge assim criar mecanismos de confiança nos incentivos financeiros, mantendo o rigor na sua aplicação (nisto o cadastro é fundamental), reduzindo claramente a carga burocrática (muita dela mitigadora da ausência do cadastro).

É igualmente de extrema importância a criação de mecanismos de adaptação da fiscalidade á actividade silvícola, pela definição de sistemas de benefícios fiscais ao cumprimentos de metas de natureza técnica e ambiental, designadamente à realização de operações de silvicultura de prevenção de incêndios e à introdução de planos de gestão florestal. Este serve como reconhecimento de todos nós pelos benefícios que alguns (os detentores das matas) nos proporcionam a todos.

O apoio à contratação de seguros de rearborização, em especial nas florestações que tiveram o apoio de fundos públicos é fundamental. Importa assegurar que o dinheiro dos contribuintes è utilizado de forma racional e com eficiência. Estes seguros estão em Lei desde 1996, contudo continuam ausentes na actividade florestal. 

  • Responsabilização dos proprietários florestais 

A definição de sistemas de incentivos financeiros e fiscais deve ser precedido de sistemas de responsabilização dos detentores ou investidores na floresta. A exigência de capacidade profissional adequada, como empresário florestal, para a gestão das matas devem ser implementada.

As acções coercivas na limpeza das matas e na melhoria dos acessos por parte do Estado devem ser salvaguardadas na Lei, caso os proprietários, apesar dos incentivos específicos, não tomem medidas nesse sentido.

A criação de sociedade gestoras de fundos de investimento florestal, com capacidade de expropriação de matas sem gestão silvícola, deve ser considerada.

A prevenção passa por estes três pontos. O combate é apenas a última e derradeira hipótese de que dispomos, o qual pode ter respostas imprevisíveis como está a acontecer este ano.

Não é possível aguardar mais tempo, está em causa o bem estar de populações rurais, as mais desfavorecidas a nível nacional, a economia portuguesa e a sustentabilidade da floresta, elemento essencial na preservação do ambiente.

A Direcção

Lisboa, 4 de Agosto de 2003


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Sítios

Fonte: ANEFA

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