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Agricultura de Precisão *

ISBN: 972-8816-47-2Este pequeno manual, intitulado "Agricultura de Precisão", surge agora, por um lado, como corolário lógico do trabalho desenvolvido pela Secção de Agricultura do Instituto Superior de Agronomia nos últimos anos, e, por outro lado, como novidade inesperada.

Começando pelo fim, é uma novidade que o grupo de trabalho que nos últimos anos tem contribuído para a actividade pedagógica, cientifica e tecnológica da Secção de Agricultura tenha agregado esforços individuais até à produção de um livro de autoria colectiva que se pretende útil para a comunidade universitária e para o mundo agrícola, simultaneamente. É novidade, não porque a ideia não tenha já surgido à volta de outros temas, mas porque, pela primeira vez, o risco de avançar com uma publicação - que será sempre incompleta e imperfeita - foi, conscientemente, assumido por todos.

Regressando ao inicio, é um corolário lógico da actividade da Secção de Agricultura, recuando até ao inicio dos anos 70, quando sob orientação do Prof. Ário Lobo de Azevedo se introduziu no ensino da Agricultura Geral e Maquinas Agrícolas, a preocupação com o diagnóstico, gestão racional e planeamento da exploração agrícola, incorporando numa disciplina aplicada, a evolução tecnológica que, desde então, não parou de fazer sentir a sua influencia na realidade agrícola e, portanto, também, num ensino que se quer próximo do que à sua volta acontece. Esta ligação à realidade foi-nos transmitida pelo Prof. Pedro Lynce de Faria, sob cuja responsabilidade esteve a Secção de Agricultura nos anos 70-80, em que os mais velhos de entre nós, completámos a nossa formação.

É, contudo, nos anos 90, que o avanço tecnológico mais se fez sentir e precedeu, de um modo semelhante ao que aconteceu na longa história da Agricultura, o avanço cientifico, ou seja, o aprofundamento das razões últimas que explicam o funcionamento dos processos de que a Agricultura depende.

De facto, é o desenvolvimento de instrumentos computacionais, de sensores vários que permitem a monitorização ambiental, da robótica, de novos meios de telecomunicação rápida e acessível que permitem concretizar hipóteses de gestão que até então estavam apenas no domínio imaginativo, ou, na melhor das hipóteses, da ficção cientifica.

É neste período, também, que na Secção de Agricultura se reúnem competências na área da construção e utilização de modelos de simulação, quer ao nível das culturas individualizadas quer ao nível da gestão da empresa agrícola ou do sistema agrícola. A utilização destes instrumentos gerou a necessidade de criar e administrar e, por conseguinte, criar competências na concepção e gestão, de bases de dados relacionais que agrupassem e reflectissem as relações entre informação agronómica, ambiental e económica. 0 passo mais recente foi a utilização de toda esta informação numa base geo-referenciada, isto é, com uma clara definição no espaço e no tempo.

Entretanto, a "Precision Agriculture" apareceu como uma "nova" técnica de fazer Agricultura. Adiante se discutira o conceito e a sua adequação às varias circunstâncias em que se pode falar de Agricultura de Precisão.

0 que levou a equipa da Secção de Agricultura a adiantar-se com a publicação despretensiosa deste pequeno trabalho, foi a consciência de que, o caminho da Agricultura, como uma actividade do homem que visa obter uma produção agrícola usando controladamente recursos ambientais e biológicos, passa por mais conhecimento, para, assim, ser mais rigorosa e, portanto, mais precisa.

Particularmente, no actual contexto da Agricultura Portuguesa, a Agricultura precisa de Precisão.

Por último, no sentido de completar esta nota prévia que já vai longa, cumpre-nos ainda agradecer às empresas que quiseram associar-se a este nosso projecto editorial e, muito em particular, ao Dr. Nuno de Carvalho e à Editora Prefacio pela sua pronta adesão e entusiasmo em prol desta iniciativa. Não fora o seu apoio, e este escrito nunca sairia a luz do dia, limitando-se a circular pelo nosso muito restrito e pouco visível meio académico. A todos eles, o nosso muito obrigado.

Os autores
Lisboa, Dezembro de 2003

(*) - Prefácio do livro com o mesmo título, da autoria de José Castro Coelho, Luís Mira da Silva, Miguel Tristany, Miguel de Castro Neto e Pedro Aguiar Pinto

Publicado em 26/09/2004

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