1 - Há
formas diversas de produzir o mesmo tipo de alimento
de origem animal, reflectindo-se estas formas nas características e
organização tecidual do produto final: leite, carne, conservados e
transformados. O Consumidor no
mercado especial ou em mercados abertos a produtos com origens diversas
(grandes superfícies) escolherá o alimento de origem animal que mais o
satisfaça em função do preço ou das suas características diversas, estas a
gerarem a sua apetência face a gostos, odores e flavores diferentes.
Reforça-se
a ideia de que há formas diversas de produzir, todas elas com características próprias e exigências adequadas
aos sistemas de produção animal a
implantar. Em todos os sistemas, intensivos versus naturais, é essencial que se aumente a
eficiência produtiva, eliminando os períodos improdutivos do animal
e se procurem custos de produção mais
competitivos. Enfim, há que saber produzir, defendendo a Imagem Pública da Produção
Animal. Há que saber fazer marketing ou saber vender com
valor acrescentado que justifique as diferenças no alimento que se
vende e na forma de produzir, nomeadamente no caso de sistemas de produção animal naturais
e extensivos em que o que está em causa é o aproveitamento de
recursos locais genéticos, alimentares ou os dois em conjunto. O "beef" da erva
e o porco da bolota, são exemplos.
Em todos
os objectivos diferenciados de produção animal, há que Saber Produzir e, se possível, dar dimensão às estruturas de
produção, incluindo nestas, para as áreas do minifúndio, a organização, como
exploração pecuária, das Associações de
Produtores, a assumirem a debilidade
estrutural de quem produz e se possível, especializarem funções produtivas entre
os seus membros. Há que dar vida ao Mundo
Rural nestas condições específicas de produção. Ter gente neste Mundo Rural torna-se uma exigência,
para se evitar a desertificação e a má imagem do cenário rural.
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2-
Os
Sistemas Intensivos de Produção ou Indústria Animal procuram, através da
maximização da eficiência biológica e zootécnica, a produção massal de alimentos. O Homem
manipula o sistema de produção e obtém mais produto animal para a
mesma quantidade de alimento ingerido, obtendo assim custos de produção mais competitivos e contribuindo largamente para
o mercado de abastecimento caracterizado pela procura generalizada de
alimentos. Os Sistemas Locais de produção animal ou a arte de produzir são a outra forma de produzir e
dirigem-se a mercados restritos, contribuindo para a oferta limitada de
alimentos de origem animal de escolha.
Dirigem-se a nichos de consumidores. O Homem observa estes sistemas de produção animal que
promovem a utilização de recursos locais renováveis (animais e
alimentos). Tem a ver obviamente com o Desenvolvimento
do Meio Rural. A capacidade de oferta
e não da procura, dimensiona a
necessidade de produzir nestas condições. A eficiência
do sistema produtivo exige outra interpretação biológica e zootécnica!
São
sistemas de produção animal complementares, porque são diferentes e exigem tecnologias apropriadas e adaptadas ao
sistema de produção. Os objectivos biológicos e tecnológicos determinam as
diferenças entre estes sistemas de
produção animal, que geram necessariamente e sempre produtos (alimentos) de alta
qualidade. São sistemas de produção
animal que, em todas as circunstâncias, devem ser amigos do ambiente e não agredirem a
saúde pública.
3 - Ao
programar o desenvolvimento da Pecuária
Nacional (Programa Nacional de
Desenvolvimento Pecuário) há que considerar estas duas situações de
produção, conjugando apoios dirigidos e necessariamente diferentes,
nomeadamente, em termos financeiros:
apoios à Pecuária Indústria (tornar
competitivos os custos de produção e
à Pecuária Arte, (destacar e
reforçar as diferenças). A Pecuária Arte tem, necessariamente, face às nossas condições de produção de ser
considerada, também, como Serviço (dinamizar e dar vida ao Meio
Rural, promover a diversidade da
Paisagem Rural e manter a Biodiversidade). Há que identificar o que queremos e
como o podemos ter com a gente que temos. A diversidade e
potencialidades de Meios de Produção e a organização produtiva dos
mesmos é diversa na UE. Os recursos
a considerar e a aproveitar, nos Países do Sul da Europa, impostos pela
tradição, cultura e diversidade são uma forma de apego (fixação) de gente ao
Meio Rural, argumento de grande peso e
visão humanista na economicidade das
circunstâncias. Os indicadores a
utilizar, em termos comparativos e relativos entre Países da UE, terão que expressar intervenções
adequadas aos objectivos diferenciados. Neste domínio a pecuária das raças
autóctones, para além da conquista do valor
acrescentado para o que se sabe vender e das aplicações das medidas
agro-ambientais, fruto discutível de uma visão e filosofia generalizada do que
não é generalizável na UE, terá de
viver com apoio dirigido e sentido da política para o Programa Nacional de Desenvolvimento
Pecuário. Defender o que se tem, promover o que se produz
(até pensar em mercados internacionais!) e dar qualidade de vida a quem
vive, no Meio Rural, torna-se
indispensável. Há que considerar a estrutura da produção animal. Ter mais gente
vocacionada, feliz e apaixonada no Meio
Rural é contribuir para o Bem Estar Nacional.
Há que
estabelecer e organizar o controle do que se vende por forma a permitir
assegurar as diferenças, garantindo a genuidade do alimento que se vende e que
dá prazer e satisfação a quem compra. Há que variar para não limitar a
capacidade de escolha pelo Consumidor!
Há que defender a genuidade da escolha, controlando como se faz e que origem tem
o alimento de origem animal.
4 - Os
sistemas naturais de produção pecuária (tipo extensivo), maximizando o uso
instalado das raças autóctones promoverá o que todos sentimos como necessário e
como preocupação sentida: o desenvolvimento
do Meio Rural, a complementar e ornamentar o desenvolvimento económico do
País, a perseguir outras metas e outros indicadores em outras
circunstâncias de produção.
Na
Era Tecnológica do Futuro em produção
animal há espaço para defender e cultivar a produção local, a produção das raças
autóctones, pela
riqueza nutricional dos alimentos que origina, respondendo à riqueza das nossas
tradições e à cultura da nossa gastronomia. Apoiar este desenvolvimento da
pecuária nacional torna-se uma preocupação de sempre, a necessitar que haja apoios diferenciados à mesma produção,
que estimulem, no local próprio, a preferência por esta produção. Há que
dar-lhe continuidade e esperança, assegurando que é um desafio fazê-la,
necessariamente, por agricultores mais novos (garantir continuidade) pois estes
têm de sentir que, através dela, adquirem Qualidade
de Vida.
Não
somos País rico mas somos País consciente de que sabemos distribuir a riqueza
pelas necessidades sentidas na Sociedade
do Mundo Rural. Daí a nossa especificidade a determinar tratamento adequado
às nossas circunstâncias de produção animal nestas condições face aos desejos
de evolução social.
5 - A
Política Agrícola do País deve sentir a
necessidade desta produção animal, feita à base das raças autóctones criar
apoios que assegurem a segurança e o entusiasmo de quem produz ou vem a
suceder a quem produz. Considerem-se que medidas agro-ambientais da política comunitária são importantes
mas não devem ser exclusivas. Há o caso nacional a defender e há que melhorar e
dirigir Meios à especificidade deste
tipo de produção, rico no Sul da Europa e vestindo características próprias.
A
constatação de existirem diferentes condições
naturais (sistemas de produção animal a privilegiar), estruturais de produção
(dimensão das explorações) e
sócio-económicas (In-put por capita) entre Países do Sul da Europa e do Norte e
Centro da Europa há que assegurar, por razões nacionais, a necessidade de
defender e organizar esta produção
natural à base das raças autóctones. Há que conjugar Política Agrícola
da UE e Política Agrícola Nacional
nestes domínios por forma a dar outro amparo
e justiça ao que se justifica como
uma preocupação para a pecuária nacional: a produção de alimentos de origem
animal de características diferentes.
Estes alimentos são, necessariamente, provenientes da produção das raças
autóctones, cuja dimensão populacional é
limitada pelos recursos renováveis e locais que sustentam a produção animal.
Não é pela expressão numérica das mesmas populações animais que surgem as
nossas preocupações, mas sobretudo pela organização, natureza e características
do que produzem e pela sua importância, em termos de vantagens comparativas, para o que se tem que produzir nas nossas
condições do Meio Rural.
A
manutenção da Biodiversidade e a
animação do Meio Rural tem custos
que há que suportar, pois Agricultura é também Serviço. É urgente que repensemos a
Forma Nacional de estar na componente animal da Agricultura ("animal agriculture"). A defesa das
Raças Nacionais Autóctones seja, sem
perda de tempo, uma das prioridades nacionais para a Agricultura que queremos
fazer, diria, permitam-me, que queremos defender.