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Um prémio à incompetência! |
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Pedro Pimentel |
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Portugal, ao contrário de diversos outros Estados-membro, sempre desleixou a colocação de técnicos e quadros nacionais em posições de alguma relevância no seio da Comissão Europeia. O números de portugueses que trabalha nos corredores de Bruxelas é muito escasso e em funções, geralmente, de pouco destaque e de poder diminuto. Alguns deles, infelizmente, chegam à capital belga e assumem uma postura semelhante à que tantos que tendo nascido e vivido na 'província' em dado momento se deslocam para a Lisboa capital: escondem as suas origens e tornam-se nos mais centralistas dos centralistas. Também muitos dos nossos funcionários em Bruxelas parecem ter vergonha das suas origens e talvez para mostrar algo a quem os rodeia, geralmente tratam os seus compatriotas com uma sobranceria e uma atitude que, sabemo-lo, é em tudo diferente da que espanhóis, italianos, irlandeses ou polacos assumem relativamente aos seus concidadãos. Os funcionários da Comissão Europeia têm deveres legais e éticos de lealdade para com aquela entidade - a sua entidade patronal - mas, não sejamos inocentes, são também cidadãos de um determinado país e, por isso mesmo, sentem que devem dar particular atenção aos assuntos que têm especial interesse e importância para as suas próprias nações. Também por isso mesmo há inúmeros Estados-membro que investem fortemente na colocação dos seus compatriotas nas mais diversas posições no seio das instâncias comunitárias. Vem tudo isto a propósito da notícia ontem publicada no semanário Expresso que refere haver o ex-ministro da Agricultura, Jaime Silva, sido convidado para as funções de chefe de gabinete do novo Comissário Europeu para o sector, o romeno Dacian Ciolos. Em circunstâncias normais, este seria um motivo de regozijo e de orgulho para Portugal e muito especialmente para todos quantos estão ligados ao sector agrícola e agro-alimentar. Seria (será?) o português com a posição hierárquica mais elevada no seio da Comissão Europeia, logo a seguir ao respectivo Presidente, José Manuel Durão Barroso... No entanto, coloquei algumas questões a mim mesmo:
Em Portugal tornou-se habitual (e, estranhamente, não apenas no sector público) verificar que um gestor ou responsável que deixa a sua empresa ou entidade 'de pantanas', quantas vezes próximo da falência, é muitas vezes 'penalizado' com a sua escolha para uma posição ainda mais importante... Também no nosso país se tornou tópico de inúmeras conversas de café, o facto de que mais interessante do que ser Ministro, é ser ex-Ministro (e são tantos os casos que o confirmam)... sendo que no caso do Jaime Silva a sua candidatura a um novo posto de trabalho já andava a ser preparada há larguíssimos meses. Mas esta nomeação marca também a atitude de quem nos governa. "Não deixar ficar mal, quem nos serviu bem" é o lema do nosso Primeiro-Ministro, mostra bem o efectivo 'carinho' que nutre pela agricultura nacional e deve deixar com excelente expectativa de um futuro melhor a outros brilhantes ex-ministros como Mário Lino, Maria de Lurdes Rodrigues ou Francisco Correia. Era tempo, mas - pelos vistos - este não é ainda o tempo de acabar com os Prémios à Incompetência... Porto, 6 de Dezembro de 2009 Pedro
Pimentel Publicado em 06/12/2009 |
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