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Fez
agora duas semanas que o Programa Sectorial do Mira foi assinado
pelos Ministros da Agricultura e do Ambiente. Na minha opinião um
evento único em Portugal, com dois Ministérios a colaborar
conjuntamente em Odemira e com os operadores locais a receberem um
conjunto de regras operativas claras.
A
Agricultura e o Ambiente transmitem a ideia de por vezes operarem de
forma antagónica, mas na realidade, uma não consegue sobreviver
sem a outra. A palavra sustentabilidade é agora o chavão
utilizado, que neste contexto descreve a necessidade de existir um equilíbrio
perfeito entre ambiente, economia e sociedade.
Os
Parque Naturais tendem a ter vastas áreas para gerir e manter, mas
que ao mesmo tempo são habitadas, e exploradas. A agricultura deve
ter um papel fundamental em áreas de Parque Natural, porque ajuda a
manter os solos e oferece emprego às pessoas que lá habitam.
A
Agricultura deveria ser vistas como guardiã da Natureza e não como
inimiga.
A
Agricultura Biológica é uma solução que para a região de
Odemira não é viável. A região tem um micro clima apropriado
para produzir durante o Inverno, mas tem índices de pluviosidade
elevadas e solos arenosos demasiados pobres para este método de
produção. A solução é operar de uma forma responsável para com
o meio ambiente. Isto significa operar de acordo com o sistema de
protecção integrada e boas práticas agrícolas, tirando o máximo
proveito.
Por
forma a minimizar o stress nas culturas existem uma série de
condições edafoclimáticas essências, entre elas;
1.
Uma drenagem dos solos correcta. Este é um dos grandes problemas da
região de Odemira, e que é altamente prejudicial para o meio
ambiente. Este aspecto foi restringido no Plano Sectorial do Mira e
no meu entender contraproducente.
2.
Utilização de fitofármacos modernos. De momento a legislação
Portuguesa limita a utilização de fitofármacos com formulações
amigas do ambiente e que usadas de forma alternada conferem maior e
melhor protecção às culturas. A lista aprovada pela DGPC está
cheia de rótulos nocivos ao meio ambiente, e muitas vezes já não
muito eficazes devido às resistências que foram criando com o
passar dos anos. Um abanão no processo de homologações Português
iria trazer sérios benefícios ao meio ambiente e aumentar a
competitividade das exportações Portuguesas.
A
maior parte das regras estabelecidas pelo Plano Sectorial do Mira
já tinham sido anteriormente reforçadas pelos esquemas de
certificação ambiental estrangeiros, implementadas por muitas das
empresas modernas e exportadoras, impostas pelos seus clientes Norte
Europeus.
Eu
sinto que existe aqui uma enorme oportunidade através do Plano
Sectorial do Mira de criar um esquema de certificação ambiental,
local, que possa ser utilizado como projecto piloto e que sirva de
referência para outras áreas em Portugal. Este esquema iria
beneficiar os produtores locais, podendo assim usufruir de um selo
de qualidade a ser utilizado como veículo de marketing, ajudando a
criar valor acrescentado aos produtos hortícolas produzidos na
região.
No
fim de contas o mercado é extremamente competitivo e não é só o
preço final que conta. O consumidor está a exigir cada vez mais,
produtos com responsabilidades ambientais. Os nossos produtos são
de uma qualidade excelente e têm vantagens competitivas que os
produtos dos nossos concorrentes, como no caso do sul de Espanha
não têm.
O
Plano Sectorial do Mira já foi assinado e como tal, chegou a vez
dos operadores locais criarem a diferença.
Paul
Dólleman
Presidente da
Associação de Horticultores do Sudoeste Alentejano
Director de Produção da Vitacress
Portugal
Publicado
em 13/04/2007
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