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Num
artigo publicado aqui no Agroportal
faz agora um ano, escrevemos que "A "revolução da
informação" está a ter largas consequências ao nível da
produção agrícola mundial. Um dos mais claros sintomas desta
revolução é a disponibilização de elevadas quantidades de
informação a preço reduzido ("Low Cost of Knowledge").
Cada vez é mais barato monitorizar diversas varáveis no campo,
analisar os dados no computador e tomar decisões tácticas de
acordo com os objectivos de produção."
Também
nesse artigo e noutros de divulgação (ver referências no final)
tivemos a oportunidade de exaltar as vantagens da Agricultura de
Precisão e de apresentar aplicações específicas. Este artigo
serve para dar conta de um recente lançamento que poder ter um
impacto interessante na adopção de Agricultura de Precisão no
nosso país.
O
Google lançou
um projecto inovador: Google Earth (http://earth.google.com/).
O objectivo é combinar imagens de satélite, mapas e o Google
Search para criar um Sistema de Informação Geográfica global.
Assim é possível fazer de forma gratuita voos virtuais para
"qualquer local no globo" com acesso a imagens aéreas de
resolução até 30 cm (permite ver casas, arvores, carros, etc.). É
ainda possível procurar escolas, restaurantes, etc. e obter as
indicações de condução até esse local. O Google Earth permite
também obter o modelo digital do terreno possibilitando ver o
relevo a 3D. É também possível marcar pontos nas imagens para
"voltar mais tarde".
Do
ponto de vista da Agricultura de Precisão a maior vantagem do
Google Earth é o facto de ser gratuito e de fornecer imagens de
alta resolução do território. Essas imagens podem dar um
contributo significativo na adopção da Agricultura de Precisão.
Como sempre, "nem tudo são rosas": A cobertura das
imagens de alta resolução não é total em Portugal. Na figura 1
estão representadas a amarelo a zonas em que é possível obter
imagens de alta resolução para Portugal. Para as restantes zonas
também existem imagens mas com uma resolução bastante inferior.
As imagens têm cerca de três anos de idade, mas estão a ser
regularmente actualizadas.
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Figura
1
Cobertura gratuita de alta resolução (30 cm) a amarelo em
Portugal pelo Google Earth. |
As
imagens aéreas em Agricultura de Precisão têm provado ser
ferramentas úteis para uma série de objectivos como por exemplo:
1.
Antes da emergência/ abrolhamento da cultura
a.
Cartografia de infestantes;
b.
Cartografia de densidade de restolho;
c.
Delineamento de manchas de solo / zonas de maneio intra-parcelar;
d.
Cartografia de drenagem natural da parcela;
e.
Amostragem de solo orientada;
2.
Depois da emergência / abrolhamento até à maturação
a.
Monitorização do crescimento da cultura;
b.
Previsão do mapa de colheita (em termos relativos);
c.
Avaliação da densidade da copa/vigor
No
caso concreto das imagens disponíveis no Google Earth, dada a sua
baixa resolução temporal, algumas das utilizações listadas ficam
inviabilizadas (sobretudo para culturas anuais). Contudo, como se
pode confirmar pelos exemplos das figuras 2 a 8, algumas delas
tornam-se perfeitamente viáveis, sobretudo se considerarmos que
são gratuitas.
O
poder das imagens aéreas é extraordinário pela impressão que
causa a variabilidade presente na maioria dos casos. Esse poder pode
levar o empresário a questionar-se: Será que a variabilidade do
solo tem impacte significativo ao nível da produtividade da
cultura? Será que a margem bruta da cultura não está a variar no
espaço, podendo isso significar estar a perder dinheiro nalgumas
zonas da parcela? Será que a aplicação de fertilizantes e
pesticidas de forma uniforme no espaço é a forma mais racional de
gestão das parcelas? Na melhor das hipóteses, o empresário
agrícola decide fazer uma amostragem de solo por mancha para
confirmar se as diferenças de fertilidade são significativas e,
caso sejam, decide passar a aplicar fertilizantes de acordo com um
mapa de prescrição que leve em consideração as especificidades
de cada local da parcela e não com base apenas numa média da
parcela.

Figura
2
Pivot com 4 sectores em que se pode observar no solo
nu, o padrão de drenagem natural do solo e no sector com cultura,
zonas menos verdes correspondentes a diferentes manchas de solo em
possivelmente em continuação do sector contíguo.

Figura
3
Parcelas de vinha em que no lado direito se encontra
uma ampliação da zona assinalada no lado esquerdo.

Figura
4
Pivot com cultura em que se podem observar zonas em
que a cultura apresenta pior estado, que serão com certeza zonas de
baixa produtividade. Por contiguidade, pode intuir-se que essas
manchas correspondem às manchas mais claras presentes na parcela
exactamente acima.

Figura
5
Conjunto de parcelas (solo nu) em que se pode
observar directamente a rede de drenagem natural do terreno.

Figura
6
Dois pivots: um com cultura e outro com solo nu.

Figura
7

Figura
8
Cultura permanente.
Braga,
R., Conceição L.A., (2005). Agricultura de Precisão - Gestão
Intra-parcelar da Densidade de Plantas. Vida Rural (a publicar)
Conceição L.A., Braga, R. (2005) Parque de Máquinas,
Monitorização de Informação e Viticultura de Precisão. ENOVITIS,
Nº 1, Junho/Julho/Agosto de 2005, 20-23.
Braga, R., Conceição L.A., Mendes, J.P., Dias, S. e Mira da Silva,
L. (2005). Vindima de Precisão - Vindima Segmentada na melhoria da
qualidade dos vinhos. Vida Rural, Junho de 2005, 58-66.
Braga, R. e Conceição L.A. (2004). Sistemas de condução apoiados
por GPS: Descrição, Características, Vantagens e Custos de
Utilização. Vida Rural, Nº 1700, Setembro de 2004, 30-33.
Ricardo
Braga
Professor – Adjunto
Instituto Politécnico de Portalegre
Escola Superior Agrária
de Elvas
Publicado
em 28/07/2005
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