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Por
iniciativa da Presidência Holandesa da UE, teve lugar no passado
mês de Novembro, em Kasteel Groeneveld, a Conferência sobre
"Mudanças na utilização da terra na Europa".
Este
evento, que reuniu os Directores Gerais do Desenvolvimento Rural dos
Estados Membros, assumiu intencionalmente, pelo formato adoptado, o
carácter de um encontro, no qual foi possível a discussão e troca
de informação, entre os participantes convidados, sobre os
assuntos considerados mais importantes para o Mundo Rural Europeu.
Um
dos temas abordados, e que despertou muito interesse, refere-se ao
progressivo abandono de terras agrícolas e às consequências nos
ecossistemas de elevado interesse natural.
De
facto, a recente adesão de dez países do antigo bloco de Leste
trouxe para a agenda Europeia, em particular no âmbito da reforma
da PAC, mais uma preocupação, mercê do acréscimo de 2,5 milhões
de hectares de pastagem e terra agrícola actualmente abandonados.
A
situação desperta de imediato diversas interrogações: Que
fazer ? Valerá o esforço de recuperação ? Que
medidas deverão ser tomadas para impedir o abandono ? Ou, porque
não devolver essas terras à Natureza ?
Esta
última pergunta, que tem traduzido a convicção de correntes
progressistas em matéria ambiental, merece afinal bastante mais
reflexão. É verdade que do abandono da actividade agrícola podem
resultar alguns benefícios ambientais pela redução de
utilização de fertilizantes e pesticidas, mas por outro lado
muitas destas áreas têm elevado valor natural, seja pelo interesse
botânico, seja por constituírem habitats de muitas aves
migratórias ou mesmo residentes.
As
pastagens semi-naturais desenvolveram-se ao longo de séculos com
intervenção humana quer para produção de feno, quer para
pastoreio directo e desta intervenção resultou o aumento das
espécies presentes, sendo assumido que o abandono implicará
inevitavelmente um retrocesso, já que se assistiria a uma
uniformização do coberto vegetal com redução das espécies mais
baixas incapazes de resistir à competitividade de espécies
produtoras de maior biomassa. Como representativo do que se acaba de
referir, atente-se no gráfico seguinte que apresenta o resultado de
um caso de estudo no sul da Alemanha (C. Schwbishen Alp).
O
gráfico traduz a imagem da variação de espécies botânicas em
função das diferentes etapas de abandono e do processo de
reabilitação de uma área de pastagem sujeita a pastoreio com gado
ovino.
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Fonte:
Paschlod et al (1997) |
No
início foram identificadas 170 espécies. Durante o período de
abandono (trinta anos), assistiu-se ao progressivo decréscimo do
número de espécies:
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Na
primeira fase, considerada como o início do abandono: 145
espécies;
-
No
chamado abandono tardio: 50 espécies;
-
No
final, já com floresta desenvolvida apenas 10 espécies
sobreviviam. A recuperação, com o corte de árvores e o
restabelecimento da pastagem, permitiu em 10 anos o aumento para
120 espécies.
Este
exemplo demonstra o impacto negativo do abandono sobre a
biodiversidade, o que aliado às mais recentes estimativas sobre
áreas de pastagem em risco de abandono justifica o empenho de
muitos estados membros na concretização de uma PAC que, sem
descurar o seu papel na produção alimentar, assegure cada vez mais
a preservação da natureza, desempenhando um papel chave na
vitalidade do mundo rural.
Esta
tendência, que muitos querem aprofundada no post - 2006,
implicará inevitavelmente um rigoroso cumprimento de práticas
agrícolas mais amigas do ambiente, obrigando a uma maior ligação
entre agricultura e natureza.
Nesse
contexto, o agricultor deixará de ser encarado como um mero
beneficiário de subsídios, mas antes como um guardião da natureza
a quem a sociedade retribui pelo seu novo desempenho.
Fevereiro,
2005
(*)
- Artigo publicado na Revista da APMA - Associação Portuguesa de
Mecanização Agrária , n.º 1 - Maio 2005
António
Campeã da Mota
Eng.º
Agrónomo
Director
de Serviços de Gestão de Projectos e Obras
Instituto
de Desenvolvimento Rural e Hidráulica (IDRHa)
Publicado
em 01/08/2005
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