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Actualmente
as Tecnologias de Informação e Comunicação revertem-se de
extrema importância na Indústria Alimentar, com especial
relevância ao nível da Segurança Alimentar.
Parece
um chavão usado por todos quanto abordam este tema, mas a
experiência que tenho ao nível da implementação de sistemas de
segurança alimentar a nível da transformação e processamento dos
produtos e a utilização de sistemas de informação para garantir
a rastreabilidade dos produtos alimentares e facilitar a troca de
informação entre os produtores e as empresas responsáveis pelo
processamento e comercialização, demonstram essa mesma
importância.
De
facto as possibilidades são imensas.
Diria
mesmo que não faz sentido, hoje em dia, falar em segurança
alimentar sem falar em sistemas de informação.
Existem
duas fortes razões para que as tecnologias de informação e
comunicação sejam fundamentais neste sector. Por um lado, a
complexidade desta área exige uma resposta eficaz em termos de
armazenamento e disponibilização de informação. Por outro, o
elevado número de parceiros envolvidos na cadeia de abastecimento
exige que a informação esteja acessível e seja facilmente
utilizável.
Imaginem
que eu tenho uma empresa grossista que vende maçãs para uma cadeia
de supermercados em Portugal e, além disso, exporta para a Bélgica
e para Inglaterra. A cadeia de supermercados em Portugal exige que
as maçãs sejam certificadas de acordo com um esquema de
Protecção Integrada (Note-se que esta exigência tenho que a fazer
aos meus produtores e, de alguma forma, tenho que certificar-me que
ela é cumprida). Os belgas exigem que a minha unidade seja
certificada de acordo com o sistema ICQM (Integrated Chain Quality
Management), o qual é exigido pela maior parte dos importadores
daquele país. Os ingleses que seja certificada com o sistema BRC
(British Retail Consortium), exigindo igualmente que os meus
produtores tenham certificação EUREPGAP (Euro-Retailer Produce
Working Group - Good Agricultural Practices). Finalmente, a
legislação nacional exige que eu tenha um sistema de Autocontrolo
implementado, como o HACCP. Tudo isto exige informação que tem que
ser recolhida de forma sistemática e tem que estar disponível a
vários níveis da cadeia de abastecimento, incluindo os meus
clientes e as entidades com responsabilidades de auditoria e
certificação. Como consigo fazê-lo de forma segura e sistemática
sem um sistema de informação?
A
proliferação dos sistemas de certificação e o aumento das
exigências de qualidade e segurança alimentar por parte dos
consumidores, torna os sistemas de informação um instrumento
essencial na gestão da cadeia alimentar.
Mas
o caso da rastreabilidade é ainda mais paradigmático.
Utilizando
novamente um exemplo real, imagine que a minha empresa grossista
exportou maçãs para Inglaterra e que, no âmbito de uma
inspecção de rotina, os ingleses encontraram resíduos de um
pesticida não homologado para a cultura. Quando a cadeia de
abastecimento é tão complexa como é o caso no sector alimentar,
existe de certa forma uma desresponsabilização dos elementos a
montante da cadeia. Se forem encontradas maçãs com resíduos de
pesticidas numa bancada de um supermercado, por exemplo, e essa
informação chegar aos jornais, quem aparece como culpado?
Obviamente, a cadeia de supermercados, até porque, sem
rastreabilidade, não é possível identificar mais nenhum
responsável. Na cadeia de abastecimento alimentar a única forma de
garantir a qualidade e a segurança dos produtos, e responsabilizar
quem tem que ser responsabilizado quando existe um problema, é
garantindo uma rastreabilidade total dos produtos. Quando eu compro
uma maçã num supermercado, quero saber exactamente quem a
produziu, onde foi produzida, que tratamentos levou, onde foi
transformada, quem efectuou o transporte, e por aí adiante. Ora
isto implica que a informação seja recolhida a todos os níveis da
cadeia de abastecimento e que esta informação esteja disponível e
seja facilmente acessível. Como referi anteriormente, sem um
sistema de informação adequado esta tarefa é praticamente
impossível.
Julgo
que ainda há muito caminho a percorrer, mas também sinto que os
agentes económicos já perceberam as vantagens da adopção destes
sistemas.
Até
há bem pouco tempo as indústrias alimentares implementavam
Sistemas da Qualidade unicamente porque eram obrigadas a tal, quer
por exigências legais, quer por imposição dos seus clientes; e
hoje em dia, sinto que existe uma cada vez maior
consciencialização para a Qualidade e Segurança Alimentar,
assumindo-a como fundamental no Plano Estratégico das empresas e,
em particular, como uma forma de estar e de se diferenciar num
mercado cada vez mais competitivo.
É
de facto um investimento com retorno positivo e que está a ser cada
vez mais adoptado na nossa indústria alimentar.
Rui
Almeida
Director
Técnico da CONSULAI
http://www.consulai.com
Publicado
em 27/04/2004
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