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OPINIÃO
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O
Uso Sustentado da Rega
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A
rega é um processo artificial de satisfazer as necessidades em água das
plantas quando esta não existe no solo em condições utilizáveis, tais
que as plantas a possam usar sem que isso provoque uma quebra de produção
superior a um limite admissível pelo gestor da rega.
De
acordo com este conceito, a rega é um factor de produção similar aos
restantes, mas que respeita a algo que é cada vez mais escasso e mais raro,
e, para as condições agrícolas da zona sul do país, imprescindível para
a viabilidade da produção agrícola nesta região.
Com
as mudanças na política agrícola europeia influenciada pela política de
mercados mundial, as ajudas à produção tendem a reduzir-se a um ritmo
cada vez mais rápido, de tal forma que o rendimento dos agricultores ficará
cada vez mais dependente da produção agrícola e menos das ajudas, ou
seja, numa óptica de comércio livre, a concorrência entre as diversas
regiões será cada vez maior, com desvantagem manifesta para as regiões
mais desfavorecidas.
Esta
situação, implicará, com maior ênfase ainda, que o rendimento agrícola
terá que aumentar se quiser melhorar, ou pelo menos manter, os já de si
baixos rendimentos actualmente existentes.
A
melhoria do rendimento agrícola desta região poderá passar, entre outros,
e no que ao factor de produção – ÁGUA – diz respeito, pela
racionalização da sua utilização através duma gestão adequada da água
de rega.
De
acordo com os dados disponíveis, nomeadamente no recentemente divulgado –
Plano Nacional para o Uso Eficiente da Água – versão preliminar [1]
-, a procura da água em Portugal é da ordem dos 7500 x 106 m3/ano, dos
quais cerca de 6550 x 106 m3/ano, ou seja cerca de 87 % são utilizados pela
agricultura. Ainda de acordo com esta fonte é considerado que as perdas
verificadas nos consumos de água pela agricultura são da ordem dos 2750 x
106 m3/ano, o que representa uma eficiência de utilização da ordem dos 58%.
Estas
perdas de água pela agricultura representam, considerando um custo da ordem
dos 16$00 m3/ano, um gasto anual da ordem dos 44 x 109 PTE/ano.
Sendo
a água um factor escasso, e a agricultura o seu maior utilizador, e estando
a instalar-se a ideia, propalada pelos média e por muitos dos que
resolvem a maioria dos problemas da agricultura nos locais de grande audiência,
mas fora do local em que ela se pratica, de que a agricultura é um
grande desperdiçador e um grande poluidor, torna-se urgente gerir a rega
duma forma adequada que permita:
-
adequar
a disponibilidade da água às necessidades espaciais e temporais das
diferentes culturas, tendo sempre presente os rendimentos que serão de
esperar
-
adequar
os métodos de rega às culturas, aos solos e às condições topográficas
em que a mesma se desenvolve
-
avaliar
os sistemas de rega instalados de modo a detectar possíveis maus
funcionamentos dos equipamentos ou gestão inadequada dos mesmos face às
condições em que os mesmos operam
-
avaliar
as estações de bombagem para rega e a sua adequação aos sistemas de
rega e aos sistemas tarifários a que estão associadas
-
disponibilizar
meios de gestão da rega e assistência técnica que permitam ajudar o
regante a corrigir as incorrecções detectadas
-
melhorar
os conhecimentos técnicos de todos os intervenientes neste processo
-
controlar
a qualidade dos materiais de rega a introduzir nas explorações agrícolas
-
controlar
a qualidade dos projectos de rega,
tendo
como grande objectivo aumentar a Eficiência da Rega (diminuir as
perdas de água não produtivas) e a Uniformidade da Rega
(disponibilizar igual quantidade de água por todas as plantas), de tal modo
que permitam o uso adequado da água duma forma conservativa em termos de:
-
água
- uso apenas da água estritamente necessária
-
solo
- evitar ou reduzir a erosão induzida pela rega
-
energia
- redução dos desperdícios de energia por mau funcionamento ou
dimensionamento dos equipamentos, ou redução do seu custo optando
pelos períodos de redução do seu custo horário
-
Ambiente
- redução da degradação da sua qualidade dentro e fora das zonas em
que é utilizada.
Esta
tarefa, importantíssima para as áreas já regadas, torna-se ainda mais
urgente ser percebida tendo em vista as novas áreas que irão
progressivamente sendo implementadas com o novo regadio do Alqueva.
Embora
seja constituída por acções que, de algum modo, se podem considerar
simples, a sua resolução não será tarefa fácil, uma vez que ele exige,
acima de tudo, por um lado, técnicos com formação adequada (actualmente
inexistentes), e por outro meios de divulgação e de demonstração junto
dos utilizadores, que permitam a estes compreender os reais benefícios duma
gestão da rega adequada, e que a maioria dos problemas, que de algum modo
sentem no dia a dia não são fatalidades com que se tem que conviver, mas
sim acções que podem ser questionadas e melhoradas com reduções de
custos que podem ser bastante significativas.
Consciente
deste desafio, foi criado em Março de 1999 o Centro Operativo e de
Tecnologia de Regadio – COTR – que, entre outras tarefas, terá, no
curto e médio prazo, a tarefa de implementar junto dos Regantes da área
dominada pelo Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva – EFMA – as técnicas
de Gestão da Rega que permitam tornar esta região mais competitiva em
termos agrícolas.
Entre
as principais actividades a desenvolver, algumas das quais já em marcha e
outras que irão arrancar de imediato, tal como constam do Plano de
Actividades para 2002 já aprovado destacam-se as seguintes:
-
Gestão
da Rega – através do qual, e em parceria com outras entidades, e
tendo por base o SAGRA se irá, com base em alguns projectos já
aprovados pelo programa AGRO e outros a apresentar até finais de
Novembro de 2001 ao PEDIZA II, iniciar a primeira fase da criação dum Sistema
de Avisos de Rega, criando numa primeira fase:
-
Bases
de dados das culturas de regadio mais representativas da região
-
Bases
de dados de solos
-
Determinação
da Evapotranspiração das principais culturas para as diferentes
regiões agrometeorológicas do Alentejo
-
Determinação
dos coeficientes culturais das principais culturas
-
Calibração
de campo dos coeficientes culturais das principais culturas
-
Aplicação
do software disponível que permita a elaboração de calendários
de rega
Este
projecto pretende assim, como objectivos principais, contribuir para um
aumento da eficiência e da uniformidade da rega, de modo a reduzir os
consumos de água na agricultura, ou a disponibilizar o mesmo volume de água
para uma área de rega superior, e assim, contribuir para a melhoria das
condições ambientais
-
Certificação
de projectistas – vai ser iniciado em 2002 um conjunto de acções
de formação que têm precisamente como finalidade iniciar uma nova
fase que visa a curto prazo preparar um conjunto de técnicos com
capacidade reconhecida pelo COTR/Ordem dos Engenheiros e/ou outras
entidades para a melhoria na elaboração dos projectos, essencialmente
ao nível da exploração agrícola. Neste sentido foram já
estabelecidos contactos com o Presidente do Colégio de Engenharia Agronómica
da Ordem dos Engenheiros tendo em vista definir o modo operandis
desta actividade
Esta
acção, já praticamente definida, faz parte do Plano de Formação do
COTR para o próximo biénio que vai ser apresentado até ao final do
corrente mês de Novembro para financiamento junto da Medida 5 do Eixo 4 do
PORA – Plano Operacional da Região Alentejo.
Neste
Pano, e a par desta acção vocacionada para a Certificação de
Projectistas, estão previstas um conjunto de acções de formação de
curta, média e longa duração, viradas para a especialização de técnicos,
informação de técnicos e formação / informação de agricultores /
empresários agrícolas, com especial ênfase na área da - Tecnologia
do Regadio.
que
permitirá o uso mais racional dos factores de produção, um maior
rendimento dos mesmos e melhoria das condições ambientais em que o regadio
se desenvolve.
-
Criação
de Material Técnico - O COTR irá iniciar em 2002 uma actividade de
informação e divulgação, cujo objectivo principal consiste em
produzir em tempo curto este conjunto de informação, de modo a que a
mesma possa ser disponibilizada o mais rapidamente possível,
especialmente dedicada aos utilizadores – Técnicos, Consultores,
Prestadores de Serviços e Agricultores.
O
material a produzir abordará essencialmente as seguintes matérias:
-
Dimensionamento
de pivot;
-
Dimensionamento
de enrolador;
-
Abertura,
ensaio de caudal e manutenção de furos;
-
Escolha,
dimensionamento e manutenção de bombas;
-
Avaliação
de sistemas de rega;
-
Avaliação
de estações de bombagem;
-
Manutenção
e operação de redes de rega;
-
Determinação
da qualidade da água de rega;
-
Técnicas
de Filtragem da água de rega;
-
Automatismos
na rega;
-
Electricidade
na exploração agrícola;
-
Fertirrega;
-
Volume
dispondo a informação mais pertinente sobre material de rega.
O
COTR pretende ainda que estes documentos e todos os dados e outra informação
que venha a ser recolhida pelo Centro seja compilada num documento único
que virá a constituir o chamado Guia de Rega para o Alqueva.
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Criação
de um Sistema de Informação informatizado que permita, duma forma
capaz e em tempo real, transferir toda a informação disponível para
todos os interessados, por diferentes vias, entre as quais se destaca a
Internet. Este sistema será suportado pelas novas tecnologias de
informação e comunicação, em particular a Internet, e integrado com
uma base de dados relacional desenvolvida especificamente para o efeito.
A solução a
implementar deverá permitir a manutenção em tempo real da informação
a disponibilizar na Internet e possibilitar a pesquisa on-line do conteúdo
da base de dados relacional, a definição de perfis de utilizador, o
envio automático de avisos para os utilizadores registados, etc.
-
Criação
duma Área Laboratorial - A concretização deste objectivo, que irá
ser proposto até finais de Novembro de 2001, passará pela criação de
uma base laboratorial virada para o exterior, e cujo objectivo consistirá
em apoiar directamente os utilizadores da água – Agricultores –
seja no controle da qualidade mínima dos materiais de rega a instalar,
seja no controle do funcionamento dos equipamentos já adquiridos e
instalados, seja no apoio à gestão da rega e da fertilização,
permitindo o uso mais racional dos factores de produção água e
fertilizantes para atingir um maior rendimento dos mesmos e melhoria das
condições ambientais em que o regadio se desenvolve.
A
necessidade desta pequena estrutura ressalta de um conjunto de premissas das
quais se enumeram as seguintes:
-
Existem
equipamentos de rega com tecnologia avançada;
-
Não
existe formação dos utilizadores e dos técnicos no que respeita á
utilização correcta desses equipamentos;
-
Não
existe controle sobre a qualidade de muitos destes equipamentos;
-
Embora
actualmente grande parte dos equipamentos provenham de marcas com
credibilidade no mercado, contudo, isto não é sinónimo que os
colocados em Portugal, em que se sabe que não há controle, tenham a
garantia da referida qualidade;
-
Prevê-se
que a expansão do regadio no Alqueva conduza, a exemplo do que
aconteceu em Espanha, à implantação de indústrias que poderão, na
falta de um controlo seguro, produzir material sem qualquer qualidade
aceitável.
-
Muitos
dos equipamentos, especialmente os de controle e medida, embora de boa
qualidade, quando novos, não se sabe, em muitos casos o seu estado de
funcionamento
Esta
situação apresenta um impacto negativo, que se poderá traduzir em:
-
Custos
de produção elevados;
-
Produção
aquém das potencialidades;
-
Falta
de controlo sobre o funcionamento dos equipamentos;
-
Durabilidade
dos materiais inferiores à esperada
Ou
seja, os investimentos realizados no regadio, cujo objectivo é tomar a
agricultura portuguesa mais competitiva no âmbito de uma situação de
mercado global, estão muito longe de terem atingido as potencialidades
projectadas.
Assim
sendo, e tendo por base a Estratégia definida para o COTR, já ela baseada
no diagnóstico da situação actual, pretende-se entre outros:
Dinamizar
o estabelecimento de uma estrutura laboratorial e técnica, de apoio ao
sector produtivo, de modo a que este consiga tirar partido dos
desenvolvimentos tecnológicos disponíveis e aumentar a sua rentabilidade.
que
permita:
-
Defender
os interesses dos agricultores, nomeadamente a aquisição de material
com o mínimo da qualidade e consequentemente com garantia da
durabilidade prevista e eficácia de funcionamento;
-
Defender
a aplicação de dinheiro público, de modo a que os mesmo seja usado
com a produtividade prevista.
Nestas
condições poderá ser prevista, a exemplo do que aconteceu em Espanha que
a atribuição de subsídios a este tipo de equipamento poderá ficar
condicionado à emissão de um documento passado pelo laboratório com a
garantia mínima de qualidade.
Pretende-se
ainda, actuando juntamente com as principais marcas de equipamento e
estabelecer normas que espelhem a posição portuguesa junto de organizações
internacionais e que disciplinem o uso dos diferentes tipos de equipamento.
Este
conjunto de acções, integrado numa equipa pluridisciplinar, e em parceria
com os diferentes participantes e utilizadores da – ÁGUA – em regadio,
poderá ser o primeiro contributo para um uso mais racional e sustentado da
água que possa, por um lado, aumentar o rendimento da unidade de volume de
água de rega, por outro, aumentar a eficiência do uso da água na
agricultura, que, de acordo com o Plano Nacional para o Uso Eficiente da Água,
pretende passar a eficiência actual dos actuais 58 % para 66% dentro dum
prazo de 10 anos, ou seja, poupar cerca de 790 x 106 m3/ano, o que significa
poupar cerca de 65 x 106 Euros/ano.
Isaurindo Oliveira
Director Técnico – Centro
Operativo e de Tecnologia de Regadio
Plano Nacional para o Uso eficiente da Água – www.inag.pt
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