Mas
não só em quantidade. Também a qualidade mereceu referencias
particulares. São várias as opiniões que o atestam e não resistimos a
recordar o texto de Cincinnato da Costa, inserido no Portugal Agrícola em
1900: “Da colecção, extremamente variada, de castas da Região da
Estremadura várias são as que têm muita distinção natural e produzem
vinho de boa qualidade, vinhos finos de mesa que são verdadeiras jóias
enológicas.”
E
depois de épocas em que o mercado exigia quantidade, assiste-se hoje a uma
confirmação do nível qualitativo dos vinhos da Estremadura, confirmação
do nível qualitativo dos vinhos da Estremadura, confirmação essa que vem
da opinião do consumidor mas muito em particular dos excelentes resultados
alcançados em concursos tanto nacionais como no estrangeiro.
Mas
o que são hoje os vinhos da Estremadura?
Tudo
evolui e na situação em apreço as tendências do consumidor atingem
importância relevante. Sem se fugir à manutenção de alguma tradição
houve que recorrer a outras castas que então vieram promover uma maior
robustez nomeadamente aos vinhos tintos que deixaram de ter quase o
exclusivo do João de Santarém, que entretanto também “evoluiu” para
Castelão.
Os
brancos agora em época de perfeita recessão ganharam em frescura e aroma,
perdendo algum pesado e oxidado que o Fernão-Pires maduro transmitia.
Nestes,
mais ainda que nos tintos, a evolução da tecnologia foi determinante e os
vinhos leves que entretanto ganharam identidade própria, saíram
francamente beneficiados.
Podemos
ainda constatar hoje que a diversidade de vinhos continua a ser grande e que
não será de estranhar se tivermos em conta a diversidade de tipos de solos
que se apresentam do maciço cársico à foz do Tejo assim como as variações
climatéricas da orla atlântica às abas de Montejunto e Candeeiros.
A
região da Estremadura em termos vinícolas experimenta também com sucesso
numa incursão na elaboração de espumantes e não podemos deixar de
referenciar a sua tradição na produção de aguardentes, em particular na
zona da Lourinhã cuja denominação está legalmente reconhecida.
E
os licorosos, com referencia assinalável ao embora já muito limitado
Carcavelos.
Sobre
a Estremadura vinícola muitas considerações se poderiam desenvolver. Na
impossibilidade de o fazermos da forma mais agradável, na presença do
sujeito, sugerimos que cada qual de per si faça o exercício, evoluindo a
belo prazer por entre as denominações de Alenquer, Arruda, Torres
Vedras,
Bucelas ou Colares, Carcavelos e Óbidos, Alcobaça ou
Encostas d’Aire,
para além da imensidão do Vinho Regional Estremadura.