Até
à entrada de Portugal na CEE e desde muitas dezenas de anos, a
Contabilidade Agrícola, de necessidade e utilidade “reconhecidas”
foi, na prática uma “carolice”.
Não
era obrigatória e só a dedicação e esforço de um pequeno grupo de Técnicos
e Agricultores manteve acesa a “chama”.
O
Centro de Estudos de Economia Agrária da Fundação Calouste
Gulbenkian,
a Direcção Geral dos Serviços Agrícolas, a Junta de Colonização
Interna, o IRA, a Direcção Geral da Extensão Rural e alguns Serviços
Regionais de Agricultura sensibilizaram e mobilizaram Agricultores por
todo o País.
Sem
obrigatoriedade e sem apoios (refira-se, como excepção, alguma legislação
durante o Governo da Engª Pintassilgo, eram Ministro e Secretário de
Estado o Prof. Joaquim Lourenço e o Engº Domingos Gaspar), o resultado
cifrava-se, em 1985/6, em cinco dezenas de Grupos e Centros de Gestão
envolvendo perto de mil Agricultores, para além de algumas centenas
que, sobretudo saídos de acções de Formação Profissional iniciaram
os “registos”.
A
reintrodução do Imposto sobre a Indústria Agrícola (parcelar), do
IVA e do IRS deu uma “força obrigatória” às Contabilidades Agrícolas.
Mas
é sobre a Contabilidade de Gestão que nos propomos escrever.
Com
a adesão à CEE tiveram os Agricultores Portugueses acesso a apoios
financeiros para a introdução de uma Contabilidade de Gestão nas suas
explorações e para a criação de Serviços de Gestão.
A
quase totalidade dos “antigos” Grupos e Centros de Gestão aderiram
de imediato e muitos Agricultores se organizaram em Serviços de Gestão,
com técnicos privados, atingindo actualmente cerca de uma centena de
Serviços de Gestão, cento e cinquenta técnicos e perto de 10.000
Agricultores.
O
Ministério da Agricultura deu (durante algum tempo), forte apoio,
nomeadamente ao nível de formação e reciclagem dos Técnicos de
Contabilidade e Gestão.
Os
Serviços de Gestão organizaram-se a nível regional e nacional, em
Associações e Uniões e numa Confederação.
Ficou
provada, à evidência, a importância decisiva que os apoios
financeiros à introdução de uma Contabilidade de Gestão (bem como à
criação dos Serviços de Gestão) tiveram neste processo.
Estranhamente
(e fruto da Reforma da PAC/Agenda 2000), os apoios à Contabilidade de
Gestão desapareceram
!!! e não
constaram no QCA III.
“Razões”
que a razão desconhece ...
Num
Sector cada vez com mais problemas, com mais restrições e
condicionantes, com Quotas, Direitos, Superfícies Máximas, Quantidades
de Referência e Rendimentos Históricos, o bom senso apontaria para MANTER
OU AUMENTAR OS APOIOS Á CONTABILIDADE, base real de todas as
“contas, projecções, gestão e planeamento”, a níveis técnico,
económico, financeiro e mesmo social.
Numa
altura de “deitar contas à vida”, caíram os apoios à
Contabilidade.
Continuar-se-á
a ouvir por aí:
a)
Que a ultrapassagem das Quotas de Leite apenas representa para os
Produtores uma perda de 11$50/kg. (71$50 da penalização menos 60.000
que recebem pelo leite) -- versão dos compradores.
b)
Que a mesma ultrapassagem representa uma perda de 71$50/kg (penalização)
-- “versão” de alguns produtores.
c)
Que a ultrapassagem das Quantidades Individuais de Referência
representam uma perda de 56$50/kg (45$00/kg de Encargos Reais de Produção,
mais 11$50/kg do diferencial entre a penalização e o valor médio do
leite recebido) -- “afirmação” de produtores com
Contabilidade de Gestão.
Lisboa,
3/11/00