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OPINIÃO
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A
FILEIRA PORTUGUESA DA CARNE
Os
desafios da industria de alimentos compostos
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A
reforma da PAC de 1999, ao não contemplar as medidas inicialmente previstas
pela Comissão, optando-se pela diminuição dos preços dos cereais em 15%
em vez de 20%, set-aside de 10% e manutenção das majorações mensais,
dificilmente permitirá que a União Europeia possa exportar produtos
animais, de uma forma sustentada, sem o recurso a restituições à exportação,
ultrapassando deste modo as limitações impostas pelos acordos do GATT. Tal
significa que os países exportadores pretenderão manter as suas quotas de
mercado e tenderão a pressionar o mercado da União Europeia, introduzindo
situações de desequilíbrio e uma conjuntura de preços baixos, o que
tenderá a perturbar o mercado nacional, pela sua notória vulnerabilidade.
Nesta
perspectiva, Portugal tem de negociar medidas de excepção para o nosso
país, de forma a ultrapassar o nosso problema estrutural no
aprovisionamento de matérias primas e criar condições de maior
competitividade para a Fileira.
O
segundo grande pilar desta nossa intervenção prende-se com os aspectos
ligados à segurança alimentar. Como é do conhecimento de todos, as
crises da BSE e das dioxinas abalaram fortemente a confiança dos
consumidores nos sistemas de regulação e de fiscalização europeus
enquanto que problemas ligados à utilização de hormonas, de antibióticos,
a utilização de organismos geneticamente modificados e problemas sanitários,
amplificados pela comunicação social, têm vindo a afectar a imagem dos
produtos animais junto da opinião pública. Entretanto, as associações de
consumidores têm vindo a ganhar uma importância acrescida junto dos
poderes de decisão, as questões da produção são hoje encaradas na óptica
do consumidor e o Parlamento Europeu, através do processo de co-decisão têm
hoje uma importância decisiva no quadro legislativo da União Europeia.
Infelizmente, não raras vezes se pretende mostrar serviço para uma opinião
pública cada vez mais urbanizada e distante do meio rural (em Portugal, de
acordo com dados recentes publicados no Relatório do Desenvolvimento Humano
de 2000, cerca de 37.0% da população vive nas cidades, prevendo-se 46.6%
em 2015; na Bélgica a população citadina representa actualmente 97.2%,
prevendo-se 98.0% em 2015) e relatórios e pareceres científicos são
esquecidos ou ignorados quando são contrários a determinadas correntes de
opinião.
Neste
contexto, foi publicado em Janeiro de 2000 o Livro Branco sobre a segurança
dos alimentos, da responsabilidade da Comissão Europeia e que propõe um
conjunto de 84 medidas legislativas, numa perspectiva de controle
integrado “da exploração agrícola à mesa do consumidor”, das quais
a mais mediatizada tem sido a criação de uma Autoridade Alimentar
Europeia, independente, que será responsável pela avaliação e comunicação
dos riscos no domínio da segurança dos alimentos mas não pela gestão
dos riscos, o que significa que compete à Comissão Europeia, enquanto
guardiã do Tratado, assegurar as questões ligadas à legislação e aos
controles, remetendo a Autoridade para uma função meramente consultiva,
apesar de ser a responsável pelos pareceres científicos.
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No
caso da alimentação animal, o Livro Branco reserva-lhe um papel de
destaque (das 18 medidas prioritárias, 6 respeitam directamente ao nosso
sector e existe um capítulo com 7 medidas específicas), reconhecendo que
“ a segurança dos produtos alimentares de origem animal começa com a
segurança da alimentação animal” mas é igualmente reconhecido o
facto de que “a saúde e bem estar dos animais destinados à produção
alimentar é fundamental para a saúde pública e para a protecção dos
consumidores”. Das medidas propostas para a alimentação animal não
está em causa os seus objectivos de garantir uma maior rastreabilidade
dos alimentos para animais, a introdução de um sistema de alerta rápido,
harmonização dos controles, rotulagem dos alimentos, aditivos, antibióticos,
introdução de códigos de práticas baseados em sistemas HACCP, substâncias
indesejáveis, revisão dos licenciamentos, etc. mas questionamos se
muitas das medidas visam os objectivos de garantia de uma efectiva segurança
alimentar ou se não irão apenas onerar os custos de produção e afectar
a competitividade da Fileira, sem quaisquer benefícios para os
consumidores.
Nesta
perspectiva pensamos que as medidas centradas na origem, ao nível do
aprovisionamento de matérias-primas e a implementação de sistemas de
garantia de qualidade em todos os pontos do circuito, poderão constituir
medidas eficazes para garantir a segurança e tranquilizar os
consumidores. As aprovações ou as retiradas de produtos têm de
basear-se na evidência científica e não nas percepções e emoções
dos consumidores e devemos exigir nas importações de produtos de países
terceiros os mesmos princípios e iguais restrições às que são
impostas aos operadores da União Europeia, sob pena de assistirmos a uma
deslocalização das empresas para fora do espaço europeu e à asfixia
completa da pecuária.
Nesta
perspectiva, num quadro de enormes dificuldades, de grandes mudanças em
que as questões centrais serão a competitividade da Fileira e a segurança
alimentar, a qualidade, a comunicação com os consumidores e a procura de
soluções em conjunto com a Administração Pública assumem uma importância
vital no curto prazo. No âmbito da segurança alimentar, a IACA já
obteve a homologação da DGV por Despacho de 10 de Outubro, do seu Código
de Boas Práticas de Fabrico de Pré-Misturas e de Alimentos Para Animais
que procura garantir um conjunto de procedimentos visando a segurança da
utilização de alimentos compostos aos produtores pecuários mas é
igualmente necessário que as matérias primas sejam controladas e
fornecidas à indústria com elevados padrões de segurança.
No
entanto, apesar de todas estas dificuldades, estamos certos de que com uma
estratégia assumidamente interprofissional, a Fileira continuará a
demonstrar a mesma dinâmica e com as sinergias necessárias, saberemos
ultrapassar os enormes problemas que se avizinham.
Pela
nossa parte, tal como sempre, a IACA estará atenta a toda esta conjuntura
complexa e continuará a defender e a lutar, em Portugal e em Bruxelas,
pelos interesses da indústria nacional de alimentos compostos, pela
consolidação da Fileira Pecuária Nacional e pelo reconhecimento da sua
real importância no desenvolvimento equilibrado do mundo rural.
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