Página inicial ] Desenvolvimento Rural ] Nova PAC ] Outros artigos ] Comentários ] Posições do Governo ] Organizações do Sector ] Partidos Políticos ] Lançamento ] Notícias ]

Nível superior ] PS ] [ PCP ]


Dossier:  

 

Depoimento a Agroportal
Sobre a Reforma da Política Agrícola Comum

A reforma da PAC é, porventura, o tema mais glosado desde o próprio início da existência da Política Agrícola Comum. É pacífico, em Portugal, que a PAC desenhada em função e no contexto dos países fundadores, os Estados setentrionais da Europa, tem pouco a ver com a realidade, a diversidade e, especialmente, a especificidade das agriculturas de perfil mediterrâneo como é o caso da portuguesa e, dentro delas, da agricultura familiar. São conhecidas as iníquas distribuições dos apoios entre países, regiões, culturas e agricultores.

Mas a esta constatação, diria, quase unânime, não correspondem soluções consensuais e, sobretudo, não têm correspondido políticas que no plano comunitário e nacional invertam e minimizem as consequências negativas para a agricultura portuguesa da aplicação da PAC. Os remendos que a PAC tem sofrido ao longo dos tempos não tem modificado o seu pecado original. E as políticas agrícolas nacionais só têm contribuído para o agravar. Basta dar um só exemplo, embora grosso. Tanto os Governos do PSD como, agora, do PS nunca se empenharam numa alteração radical e estrutural dos sistemas e das condições produtivas agrícolas do nosso País e desperdiçaram tempo e meios financeiros numa mera subsidiação de apoio aos rendimentos (tendo como razão primeira a manutenção de clientelas políticas e sociais e a recusa do confronto com os interesses instalados dos grandes proprietários e produtores de cereais e de gado de carne, os principais beneficiários da actual estrutura de apoios) que sendo necessários e indispensáveis no quadro actual de funcionamento da PAC não esgota – longe disso – e até tem impedido uma reconversão dos sistemas produtivos.

Neste quadro, a proposta, com meros propósitos mediáticos, que o actual Ministro da Agricultura apresentou para uma alegada reforma da PAC constituiria, a ser algum dia assumida pela União Europeia, uma solução de eutanásia para a agricultura portuguesa. Separar pura e simplesmente os apoios da produção em nome do combate a um produtivismo que nada tem a ver com a deficitária agricultura portuguesa, terminar com as quotas de produção no actual quadro de globalização desregulamentada dos mercados é, no mínimo, irresponsável.

O que fazer então?  Duas grandes linhas estratégicas. Ao nível da PAC exigência do reconhecimento da diversidade das agriculturas europeias e dos níveis muito diferenciados de produtividades e estádios de desenvolvimento de cada uma com a assumpção do direito a produzir. Tal implicaria, entre outros aspectos, uma reorientação global das ajudas ao rendimento e ao investimento no âmbito da PAC com a atribuição às produções mediterrâneas (frutas, hortícolas, azeite, vinho) de níveis de apoio compatíveis com o seu contributo para o VAB da União (mais de 50%) e da definição de um modelo de ajudas que constitua um incentivo à modificação dos sistemas produtivos.

Quanto à política agrícola nacional, também entre outros aspectos, reorientação dos sistemas produtivos, política de reestruturação fundiária de modo a mobilizar novos activos agrícolas para os campos designadamente jovens e criar empresas agrícolas modernas e com escala adequadas a uma intervenção nos mercados, aposta nos sistemas de escoamento das produções, política de qualidade e segurança alimentares, revisão dos regulamentos de acesso às ajudas comunitárias e nacionais, formação e valorização profissional, criação de um seguro agrícola de exploração.

Lino de Carvalho
Deputado

Vice-presidente do Grupo Parlamentar do PCP
Membro da Comissão parlamentar de Agricultura

 


Publicado pelo

Nível superior ] PS ] [ PCP ]
Desenvolvimento Rural ] Nova PAC ] Outros artigos ] Comentários ] Posições do Governo ] Organizações do Sector ] Partidos Políticos ] Lançamento ] Notícias ]