|

Confederação
Nacional da Agricultura - CNA
Carta
- Aberta aos Partidos Políticos Perante as próximas Eleições e o
Futuro
A
crise já vem de longe, muito por causa das más políticas
agrícolas e de mercados, e também atinge duramente a Agricultura e
o Mundo Rural Português.
A
ruína da Agricultura Familiar e da Floresta de uso múltiplo,
determinam o êxodo das Populações Rurais para a emigração e
para as cidades onde os problemas sociais se agravam.
Registam-se
grandes baixas nos Preços na Produção enquanto se mantêm muito
altos os preços dos Factores de Produção.
Portugal
importa mais de 75% das suas necessidades alimentares (incluindo a
alimentação animal).
O
défice anual da Balança de Pagamentos Agro-Alimentar é já
superior a três mil milhões de Euros.
Esta
situação crítica mostra bem a extrema dependência alimentar do
nosso País e o nível de comprometimento da nossa Soberania
Alimentar.
Portugal
é "invadido" por importações de bens alimentares
provenientes de todo o mundo e sem controlo eficaz. Algumas dessas
importações servem para suprir as carências alimentares e muitas
outras seriam desnecessárias mas são feitas apenas para dar lucro
aos importadores e às grandes superfícies comerciais.
Menos
de 5% dos grandes beneficiários nacionais das Ajudas Públicas
receberam mais de 95% do total dessas Ajudas, o que revela a grande
injustiça da PAC e da atribuição dos dinheiros públicos pela
Agricultura.
Ao
mesmo tempo, os Governos que temos tido, para "poupar" no
Orçamento de Estado à custa dos Agricultores e dos Consumidores,
praticarem os mais baixos valores das Ajudas no conjunto dos países
da UE, distanciando-nos deles e inviabilizando, também assim, a tal
"competitividade" que tanto apregoam.
ESTA
É A DURA REALIDADE QUE URGE MODIFICAR !
Que
políticas agrícolas concretas ?
No
difícil contexto, a CNA lança o repto aos Partidos Políticos
concorrentes às próximas Eleições para que assumam, preto no
branco, que opções e que medidas concretas defendem para acudir à
crise do agro-rural, nomeadamente:
1
- Estão ou não de acordo com a aplicação da
"modulação" e do "plafonamento" (reduções e
limites máximos) das Ajudas aos grandes proprietários e à grande
agro-indústria?
2
- Que alterações concretas propõem para reprogramar ou reformular
o ProDeR, valorizando a Agricultura Familiar ?
3
- Acham ou não que, no âmbito da UE, o País deve manter e, se
possível, aumentar as suas quotas e direitos de Produção e os
montantes das verbas comunitárias a receber ?
3.1
- Reconhecem como legítimo e até indispensável invocar o
"interesse vital" do nosso País nas negociações na UE?
4
- Reconhecem que o "Benefício Fiscal" (Subsídio) ao
Gasóleo Agrícola deve ser aumentado, e que deve ser reposta a
Ajuda á Electricidade Verde?
5
- Estão ou não de acordo com a necessidade de alterar o
"paradigma", aliás vigente há já demasiados anos, que
dá toda a prioridade:- para a promoção da concentração da terra
e da produção; para a "competitividade"; para a
Exportação de Produtos (apesar de não criarem condições
internas "competitivas" no custo dos Impostos, da
Segurança Social, dos Factores de Produção...) ?
5.1
- Nessa perspectiva, entendem ou não que a prioridade oficial, em
todos os domínios, deve passar para a Produção Nacional com o
objectivo de alimentar a População residente; para a dinamização
dos Mercados Locais e Regionais; para as Explorações Agrícolas
Familiares; para a Floresta de Uso Múltiplo?
6
- Aceitam ou não reduzir as contribuições mensais dos
Agricultores para a Segurança Social e a revogação da "Lei
da Água" ?
7
- Como comentam o seguinte postulado :
-
"Agricultura e Alimentação fora da OMC - Organização
Mundial do Comércio"?
...
Coimbra,
15 de Setembro de 2009
A
Direcção Nacional da CNA |