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A
qualificação de um nome de um produto agro-alimentar, com uma
menção DOP/IGP, introduz do ponto de vista comercial, um elemento
de distinção que possibilita a diferenciação de produtos no
mercado e o seu reconhecimento e valorização, por segmentos
específicos de consumidores. Esta qualificação e sua inerente
protecção não é, contudo, suficiente para que se alcance uma
efectiva implementação no mercado e uma procura continuada por
parte do consumo. Consequentemente, poderá ficar aquém, o
seu tributo para a competitividade das empresas e para a expectativa
de promoção do rendimento do lado dos produtores.
Num
estudo realizado, tendo como base de reflexão os produtos:
Carnalentejana, Pêra Rocha do Oeste e Azeite de Trás-os-Montes
(que no seu conjunto representam 49% do volume económico(1)
gerado pelo segmento dos produtos tradicionais, com nome qualificado
em Portugal), concluiu-se que :
As
estruturas de organização da produção e as formas de
utilização da menção DOP, são distintas nos diferentes casos,
sendo factores com reflexos importantes na competitividade e
diferenciação dos produtos no mercado.
Nas
situações onde o agrupamento de produtores evidencia um papel de
liderança e de coordenação das actividades de produção e de
comercialização, o produto encontra-se em melhores condições de
alcançar êxito no mercado, através da concentração da oferta,
mas também pelo desenvolvimento de estratégias comuns de
diferenciação, de promoção e de distribuição. Verificou se
que, o acesso a determinados mercados só foi possível através de
ganhos de escala e que esse efeito permitiu, uma maior capacidade de
penetração nos canais distribuição e poder negocial e,
consequentemente, um maior valor acrescentado para a produção.
Assiste-se
ainda, no entanto, a algum desconhecimento dos mercados e dos
consumidores, por parte das organizações que realizam a
comercialização, existindo necessidade de re-criar e estruturar as
actividades de marketing. Já que, a maioria das iniciativas
desenvolvidas são, ainda, essencialmente de promoção, não tendo
por base um estudo de mercado ou análise da concorrência e não
evidenciam preocupação de avaliar o seu resultado ou impacto.
Verifica-se
também, uma pouca relevância atribuída a práticas de
cooperação empresarial, através de parcerias, quer entre
produtores /empresas do mesmo produto, quer entre a produção e a
distribuição.
Todos
os produtos estudados recorreram a investimento público, directo e
indirecto, com o objectivo de beneficiar as actividades e reforçar
e reestruturar as respectivas cadeias de produção, induzindo
reflexos importantes na competitividade a médio e a longo prazo.
Em
conclusão, as DO só poderão constituir uma vantagem competitiva
quando se souber explorar a apetência que determinados segmentos de
mercado têm pelas questões da origem dos produtos que consomem,
exigindo da parte de quem promove e comercializa, uma gestão virada
cada vez mais para o seu exterior, apoiada em competências de
marketing, associada a uma dimensão e a uma concentração capaz de
satisfazer uma procura continuada e de estabelecer uma oferta
compatível com a entrada em determinados circuitos de
comercialização.
Cristina
Hagatong
Mestranda do curso de Mestrado em Economia
Agrária e Sociologia Rural, Instituto Superior de Agronomia,
Universidade Técnica de Lisboa.
(1)
Estimado com base no preço mais frequente e para o período
1997-2004 (Fonte : IDRHa)
Publicado
em 04/05/2007
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