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Ao
longo de décadas, desde que foi identificado até que foi iniciada
a sua concretização, o projecto de Alqueva foi objecto de muitos
apoios, de muitas críticas e de muitas indecisões. Faltava-lhe ser
sujeito a uma onda de demagogia, protagonizada pelo Partido
Socialista e pelo seu líder.
O
Dr. Ferro Rodrigues, acompanhado do actual Deputado e antigo
Ministro da Agricultura do PS, certamente mal informado, tenta
falsear a história e, ultimamente, tem-se dedicado ao exercício de
inventar fantasmas para dar a impressão de que é capaz de os
combater.
O
Alqueva é um empreendimento que eu já defendia antes mesmo do
Senhor Dr. Ferro Rodrigues e do Senhor Deputado saberem sequer onde
ele se situava. Ao contrário do que regista a história, dizem
agora ser do PS a sua paternidade.
Quer
gostem ou não, o projecto foi decidido em 1993 pelo XII governo
Constitucional (Governo do Prof. Cavaco Silva ) e ainda em 1993 foi
criada a "Comissão Instaladora do Alqueva".
Em
Março de 1995 foi criada a EDIA e deu-se início, em Setembro, à
"empreitada de escavação da 1ª fase da barragem" antes
mesmo das eleições que precederam o Governo do Partido Socialista.
Dizem
também que o actual Governo abandonou a componente agrícola do
projecto. A mentira é grosseira, como grosseira também é a
tentativa de escamotear a única razão pela qual não há ainda
água para rega na componente do projecto que já poderia regar.
Refiro-me à célebre infra-estrutura 12, que o meu antecessor
inaugurou à pressa, em 29 de Fevereiro de 2002, sem que a mesma
estivesse concluída, e que se revelou depois ser um desastre de
construção, necessitando, para ser utilizada, de importantes obras
de recuperação, que se espera estarem concluídas em Janeiro
próximo.
Será
isto abandonar a componente agrícola de Alqueva?
É
preciso dizer-se que, sob a administração do PS, até 2002, não
foi executado nem sequer adjudicado, um único metro de rede
primária de rega (que liga a albufeira aos perímetros de rega) e
sem a qual se não pode regar a partir da albufeira.
Saliente-se
ainda que, quando o actual Governo tomou posse (Abril de 2002) não
havia na EDIA qualquer projecto em condições de ser aberto o
respectivo concurso de empreitada e que o "estudo preliminar de
impacto ambiental do subsistema do Alqueva", que havia sido
iniciado 4 anos antes, ainda não tinha sido objecto de decisão,
quer pela EDIA, quer pelo anterior governo. Tal só veio a acontecer
em Junho de 2002, já com a actual Administração, com as
inevitáveis consequências em termos de atrasos de execução da
rede primária desse subsistema.
Terá
sido o actual Governo a atrasar o Alqueva?
Além
disso, em total contradição com o discurso dos dirigentes
socialistas e daqueles que neles acreditam, a verdade é que quando
da aprovação do QCA III o Governo socialista entendeu não dever
contemplar o projecto Alqueva com os financiamentos comunitários
imprescindíveis à execução da rede primária.
No
cenário aprovado pelo Governo PS em 2001, que os seus dirigentes
agora tanto elogiam, esquecendo-se, no entanto, de dizer que esse
cenário já havia deslizado mais de 3 anos relativamente ao
anteriormente programado, indiciava-se a beneficiação de 26.200 ha
até 2006, com investimento de 276,4 Meuros nas redes secundárias e
de 256,7 Meuros nas redes primárias.
Contudo,
se se consultar o Quadro Financeiro do Programa Operacional
Alentejo, constata-se, para a rede primária, a inexistência de
dotação financeira, e para a rede secundária uma dotação que
daria apenas para metade da área prevista!!
Nestas
circunstâncias, só mesmo a irresponsabilidade de que sempre deram
provas ao longo da sua governação, permitirá aos dirigentes
socialistas o despudor de atribuírem ao Governo actual os atrasos
no regadio do Alqueva.
Quando
o líder socialista fala agora de congelamento da componente
agrícola não parece saber o que está a dizer.
No
seu melhor estilo, que infelizmente é igual ao do Senhor Deputado
que o acompanha, fala das forças conservadoras e retrógradas que
desejam matar o Alqueva e diz que não o consentirá. Conhecemos a
fórmula: à boa maneira socialista, primeiro gasta-se o dinheiro,
depois anuncia-se a obra para o futuro sem nenhum suporte financeiro
e, quando os seus sucessores se esforçam por arranjar as verbas
necessárias para realmente a concretizar, acusam-nos de não
cumprir as metas estabelecidas, de boicotar a componente agrícola e
de matar o projecto!!!
O
melhor desmentido que podemos dar à campanha socialista é o
seguinte:
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Infra-estrutura 12
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Regará a partir de Março/2004
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Regadio da Aldeia da Luz
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Foi aberto concurso em
Julho de 2003
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Canal Alamos-Loureiro
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Foram abertos os dois
concursos em 9 de Julho e 7 de Agosto
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Barragem dos Alamos (3
albufeiras)
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Abertura de concurso na 2ª
semana de Setembro
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Barragem
do Loureiro
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Abertura
de concurso durante o mês de Outubro
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Ligação Loureiro-Alvito
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Início da empreitada em
2004
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Ligação Loureiro-Monte
Novo
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Início da empreitada em
2004
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Ligação Alvito-Pisão
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Início da empreitada em
2004
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Barragem do Pisão
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Início da empreitada em
2004
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Ligação Pisão-Roxo
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Estudo da antecipação da
ligação
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Bloco do Monte Novo (rede
secundária)
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Início da empreitada em
2004
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Bloco do Pisão
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Início da empreitada em
2005
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Subsistema Ardila
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Antecipação das
infra-estruturas primárias e início do equipamento dos
blocos até 2007
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Quanto
à lista de pseudo-realizações subscrita pelo Senhor Deputado e
ex-Ministro da Agricultura do PS num artigo recente publicado no
Jornal Público, ela honra mais uma vez a tradição da sua mais
pura demagogia, bem conhecida dos alentejanos.
Fala
dos 11$00/m3 fixado pelo seu governo para a água do Alqueva mas
não diz que esse preço foi fixado para 2002, altura em que não
haveria água, e é crescente de forma a atingir 16$50 em 2008.
Diz
que negociou a reconversão até 2006 de 60.000 ha de culturas de
sequeiro para regadio. Não diz, porque não lhe convém, que as
culturas continuarão sempre a ser cereais e a operação é
condicionada ao não aumento da produtividade média.
Fala
do banco de terras e do fundo de mobilização de terras mas não
diz com que dinheiro os iria fazer funcionar se eles tivessem sido
aprovados.
Enfim,
fala de tudo e de mais alguma coisa, auto-elogia-se compulsivamente
como é seu hábito, mas não diz que o seu projecto de PAC
arruinaria em pouco tempo a agricultura alentejana.
Também
não diz que tudo fez para boicotar os meus objectivos de aumentos
de quotas de produção para permitir ao empreendimento do Alqueva
uma orientação agrícola diversificada, como também nada diz
sobre a recente revisão do programa RURIS que, conjugada com a
também recente reforma da PAC, poderá dar ao Alentejo um futuro
que nunca teria sob a orientação socialista, errante, sectária e
incompetente.
Lisboa,
03. Setembro. 2003
Armando
Sevinate Pinto
Ministro
da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas
(*) -
Publicado no Jornal Público
de 05/09/2003
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Publicado
em 05/09/2003
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