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O
Movimento Associativo no sector florestal com expoente máximo na
Federação dos Produtores Florestais de Portugal (FPFP) tem vindo a
assumir um destaque preponderante na melhoria da eficiência da gestão
das florestas privadas, responsáveis por 87% da área florestal
nacional.
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A
FPFP é hoje constituída por 38 organizações que no seu conjunto
representam cerca de 40 mil produtores florestais privados de cariz
familiar. Em função desta representatividade, a Federação é a
única organização profissional que nos Conselhos Consultivos
Florestais, nacional e da União
Europeia, representa os interesses
da floresta privada portuguesa. Através da Confederação dos
Agricultores de Portugal (CAP), onde está filiada, a
FPFP detém a
vice-presidência do Grupo Florestal do Comité das Organizações
Profissionais Agrárias da União Europeia (COPA), principal
Parceiro Social da Comissão Europeia para o sector primário, e na
Direcção da União dos Silvicultores do Sul da Europa (USSE), esta
última reconhecida junto das Nações Unidas e da
FAO.
Muito
embora o modelo associativo de organização da produção florestal
seja recente, com maior expressão a partir de meados dos anos 90,
os resultados do seu desempenho são já evidentes. Entre outros, as
Organizações de Produtores Florestais Portugueses gerem hoje
alguns dos maiores projectos ambientais integrados na Iniciativa
Comunitária LIFE, casos da AFLOPS e da AFLOSOR, possuem o único
estudo de operacionalização no Sul da Europa de indicadores de
sustentabilidade da gestão florestal e fomentam o lançamento de
novos e promissores instrumentos financeiros de apoio ao sector,
designadamente o Fundo de Investimento Imobiliário Florestal
(FIIF)
e a Sociedade de Garantia Florestal (SGF).
As
organizações de produtores florestais podem actuar segundo quatro
vertentes:
-
Reivindicativa,
actuação tradicional e de cariz profissional, com a defesa
intransigente da propriedade privada e da melhoria do rendimento
dos produtores florestais;
-
Representativa,
com a intervenção em conselhos e comités consultivos quer em
Portugal quer na União
Europeia, a filiação em organizações
transnacionais congéneres e o reforço da capacidade técnica,
de gestão e de intervenção do Movimento Associativo
Florestal;
-
Informativa,
através da publicação de cadernos técnicos e outros meios de
apoio aos produtores, da aposta na realização de sessões
informativas, na edição de jornais, revistas e folhetos e no
desenvolvimento de acções de formação profissional e de
instrumentos didácticos e audiovisuais de apoio a estas; e,
-
Prestadora
de serviços, desde levantamentos com GPS e produção de
cartografia digital, com o apoio de Sistemas de Informação
Geográfica, até à elaboração de projectos florestais quer
ao nível do investimento nas explorações agro-florestais quer
ao nível de estudos e diagnósticos para uma região, passando,
entre outros serviços, pelo apoio à comercialização de
produtos florestais, designadamente madeira e cortiça, quer na
determinação da qualidade quer na criação de medidas que
permitam uma melhor acesso aos mercados por parte dos produtores
florestais.
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As
acções levadas a cabo pelas Organizações de Produtores
Florestais trarão certamente impactes muito positivos a curto
prazo, quer na melhoria da sustentabilidade da floresta portuguesa,
com expressão na defesa da floresta contra os incêndios, principal
flagelo ambiental nacional, quer na melhoria das condições de vida
das populações, sobretudo das rurais, com criação de emprego e a
consequente fixação nos locais de origem em condições dignas e
promissoras.
Muito
embora existam ainda graves problemas a resolver na Floresta Privada
Portuguesa, o desempenho das organizações de produtores
permite-lhes já hoje serem intervenientes em iniciativas
transnacionais, quer com outras entidades de Estados Membros da União
Europeia quer com Países integrantes do Mercosul, e proximamente
com Países Africanos.
O
papel dos Governos e das Administrações neste domínio é
fundamental enquanto agentes impulsionadores da organização da
produção florestal privada. Infelizmente, nos anos mais recentes,
a sua intervenção tem ficado muito aquém do desejável, razão
pela qual se torna necessário providenciar melhorias nas sua
intervenções, controlando os "Velhos do Restelo" que
insistem em exercer um controlo paternalista, ultrapassado nos dias
que correm, e as intenções de criar formas associativas por si
controláveis, com interesses de governantes e responsáveis da
Administração a sobreporem-se aos legítimos interesses dos
detentores das superfícies florestais.
Paulo
Pimenta de Castro
Secretário Geral da Federação
dos Produtores Florestais de Portugal
Publicado
em 11-01-2002
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