A floresta é a
principal forma de ocupação do solo (aproximadamente de 71% da superfície
do concelho), correspondendo a uma área total de 13520 hectares, onde o
pinheiro bravo é a principal espécie ocorrendo em cerca de 81,5% da
referida área florestal em povoamentos puros e mistos dominantes
consociados, numa percentagem relativamente pequena, com eucalipto e
sobreiro.
Tratam-se de manchas
extensas provenientes essencialmente de regeneração natural, onde as
densidades médias são extremamente elevadas o que revela o estado de
abandono a que estão sujeitas.
Os povoamentos com menor
densidade, pertencentes às classes de idade mais avançadas, correspondem
aos estratos onde a pressão de corte é maior, sendo escolhidos para
“sair” os indivíduos melhor conformados, assistindo-se assim, à
“degradação” do património genético pois a regeneração é feita
naturalmente.
As intervenções feitas
nos povoamentos limitam-se, na maioria dos casos aos cortes. A limpeza de
matos e aproveitamento da regeneração natural não é realizada, o que se
traduz numa elevada densidade de espécies arbustivas, geralmente muito
inflamáveis, rondando a altura média dos matos os 80 cm para os
povoamentos de pinheiro bravo. É de salientar a presença de regeneração
natural de sobreiro nestas manchas que ao ser alvo de aproveitamento
contribuiria para diversificação das áreas florestais e para a
consequente diminuição do risco de incêndio.
A quase ausência de acções
de gestão nos povoamentos pertencentes às classes de idade mais jovens
coloca em causa a sua produtividade e torna estes povoamentos extremamente
vulneráveis ao fogo, que se vier a ocorrer é de prever a evolução destas
áreas para áreas de incultos, ou eventualmente para áreas de eucalipto,
uma vez que não é usual a instalação artificial de povoamentos com
pinheiro bravo.
Os povoamentos
actualmente em exploração tendem a evoluir, ou já o são, para
povoamentos irregulares, ou povoamentos sub–lotados com um elevado grau de
cobertura de matos, uma vez que não são feitas rearborizações ou um
aproveitamento eficiente da regeneração natural de pinheiro bravo.
Predominam as
propriedades com uma área compreendida entre os 5 e os 10 hectares, onde a
superfície florestal representa, em média, perto de 90% da área total das
explorações, sendo a restante área predominantemente agrícola.
O número médio de
blocos (parcelas de terreno que sejam continuas separadas, ou não, por
caminhos ou estradas) existentes por propriedade é de 14, o que vem
confirmar o grave problema estrutural da fragmentação destas propriedades.
A
idade média dos proprietários florestais é elevada (68 anos) e possuem um
nível de instrução baixo. Os seus descendentes residem na sua maioria na
área metropolitana de Lisboa e possuem um grau de instrução superior aos
actuais proprietários florestais. Quer isto dizer que dentro de cerca de 14
anos (Sabendo que a esperança média de vida para os homens em Portugal
continental com uma idade compreendida entre os 65 e 69 anos é de
aproximadamente 14 anos) o numero de proprietários residentes fora do concelho
aumentará substancialmente e agravando-se o problema do envelhecimento
populacional.
As
principais produções são as lenhas, as madeiras para serrar e folhear e
as rolarias para as celuloses, não sendo significativas outras produções
associadas à floresta onde as produções de cortiça são pontuais e as de
resina inexistentes. Neste cenário os proprietários consideram que a
actividade florestal tem um peso reduzido no seu rendimento global.
Uma percentagem
significativa (cerca de 40%) dos proprietários não realizou qualquer corte
nos últimos 10 anos. Os cortes que foram efectuados neste período de tempo
foram feitos pé a pé, ou seja, cortes salteados onde, como já foi
referido, são retiradas as árvores de maior dimensão e com as melhores
características. A idade média atribuída à maioria destas árvores
abatidas situa-se entre os 40 a 50 anos.
É de referir que o
“medo dos incêndios”
desincentiva a realização de acções de gestão e é, sem duvida, o
principal motivo do próximo corte, tendo os proprietários referido, também,
como factores importantes a idade e tamanho dos pinheiros e ainda a
“necessidade de dinheiro”.
Para acções como
identificação e delimitação de propriedades, limpeza de mato, desbastes,
desramações, vigilância contra incêndios, construção de rede viária e
instalação de povoamentos, a grande maioria dos inquiridos responderam
aceitar a intervenção por parte da Associação desde que não tivessem de
participar nos custos.
Apesar do panorama não
ser o mais favorável, os proprietários, na sua maioria, não colocam a hipótese
de arrendar ou vender a sua propriedade e mostraram-se dispostos a concertar
esforços para a realização conjunta de acções, ou seja, estariam disponíveis
para se integrarem numa gestão em áreas agrupadas depois da realização
de um projecto de investimento inicial (de beneficiação) desde que
concordassem com a sua programação.
Esta forma de gestão
está fortemente condicionada pelo desconhecimento do seu possível
funcionamento e pela falta de disponibilidade financeira, por parte dos
proprietários, para investir.
Assim, será
fundamental, através da Associação, a implementação de acções de gestão
em áreas agrupadas, ainda que numa fase inicial em áreas de dimensão
relativamente reduzida, mas que funcionem como áreas demonstrativas e o
apoio financeiro através de programas de investimento já existentes.
Identificadas as
necessidades de intervenção na área do Pinhal Interior no concelho
de Vila de Rei há que actuar de forma a contrariar o previsível
aumento do risco de incêndio e o sub-aproveitamento do potencial produtivo
das áreas de pinhal.