Quando,
em 1986/87 Portugal aderiu à CEE, nuvens negras preconizavam os
profetas da desgraça:
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A produção do Leite está condenada;
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Na CEE existem lagos de Leite e montanhas de manteiga em excesso;
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O Sector do Leite é o “buraco” financeiro da CEE.
Estamos
no ano 2000 e a síntese 1999 – Política Agrícola Comum –
Comissão Europeia, traz os números:
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%
Produção Final Agrícola
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%
FEOGA - Garantia
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Leite
e Produtos Lácteos
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18,0
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6,1
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Cereais
(sem Arroz)
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9,2
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43,6
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Frutas
e Hortícolas
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18,8
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3,5
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Afinal
o “buraco” era e é outro ...
O
Sector do Leite foi um dos que melhor respondeu ao desafio comunitário,
teve e tem uma importância económico e social determinante na
Agricultura e no Mundo Rural Português.
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Foi
este sector que permitiu a sobrevivência de dezenas de milhares de
explorações e famílias e proporcionou estudos e educação a
muitos milhares de jovens oriundos do meio rural;
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Foi
este sector que respondeu (nomeadamente através das pequenas e médias
explorações – agricultura familiar) ao acréscimo de produção
e produtividade e à melhoria de qualidade ;
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Foi
este sector que serviu de base ao associativismo agrícola e ao
combate contra a invasão de multinacionais.
Mas
é, também, este um dos sectores mais ameaçados, em nome da
COMPETITIVIDADE, CONCENTRAÇÃO E VIABILIZAÇÃO.
Com
estes argumentos e com o apoio/conivência de sucessivos Governos.
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“Eliminaram-se”
63.700 produtores entre 1991/92 e 1999/00.
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Fecharam-se
milhares de Salas Colectivas de Ordenha Mecânica e Postos de
Recolha.
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Fizeram-se
várias operações de “resgate” que corresponderam ao
desaparecimento de dezenas de milhares de produtores.
Com
estes mesmos argumentos, reforçados com as “multas” por excesso de
Quota Nacional (que não foi bem negociada aquando da Reforma da PAC/Agenda
2000, recorde-se que a Itália,
Espanha, Irlanda e
Grécia conseguiram
aumentos de 600.000, 550.000, 150.000 e 70.000 toneladas, a começar já
em 2000/1, enquanto Portugal aceitou 25.100 toneladas só em 2005), um
GRUPO DE TRABALHO, NOMEADO EM 5 DE Abril de 1999 pelo Secretário de
Estado da Modernização Agrícola e da Qualidade Alimentar e ONDE NÃO
ESTAVA REPRESENTADA A PRODUÇÃO apresentou um “Plano para a
Melhoria da Competitividade do Sector do Leite” onde conclui que
a solução única passará por acções de resgate e avança mesmo com
duas alternativas:
a)
Resgate que abranja a totalidade dos produtores nacionais com quota
inferior a 20.000 kgs.
b)
Resgate que abranja os “muito pequenos produtores”, com 2 ou menos
vacas por exploração.
Na
primeira alternativa e num horizonte de 5 anos, resgatar-se-iam 180.000
toneladas a 28.000 produtores (dois terços dos actuais) e na segunda
hipótese resgatar-se-iam, no mesmo horizonte temporal, 70.000
toneladas, provocando o abandono de mais de 10.000 produtores.
BASTA
DE ESTRATÉGIAS ERRADAS E ATENTÓRIAS DOS DIREITOS DA PRODUÇÃO !!!
É
indispensável, urgente e necessário:
a)
Que se negoceie a Quota Nacional, com particular incidência nas Regiões
ultraperiféricas dos Açores e da
Madeira;
b)
Que se pare esta “investida” contra a pequena/média produção e a
Agricultura Familiar;
c)
Que não seja permitida a transferência de Quotas de regiões
desfavorecidas para não desfavorecidas;
d)
Que se penalize a não utilização das Quotas Individuais (retirando a
Quantidade Individual não utilizada, pelo menos em 90%, salvo casos
excepcionais e devidamente justificados, em vez dos actuais 70%),
impedindo assim a “especulação” e o “comércio desenfreado”,
(na C. C. Sectorial Leite, foram apresentados números em que, na campanha
1998/99, 20.550 produtores não utilizaram quota de 279.202 toneladas);
e)
Que os resultados da alínea anterior revertam para a Reserva Nacional;
f)
Que os “ganhos” na Reserva Nacional, com esta medida, sejam distribuídos,
GRATUITAMENTE, pelas explorações familiares e pelos produtores do
interior.
Novembro
2000